Palmeiras retoma time feminino profissional em parceria com a Prefeitura de Vinhedo


Com isso, o clube alviverde atende às exigências da Conmebol, entretanto, Marco Aurélio Cunha, coordenador das seleções femininas da CBF, sugeriu que os times não fizessem parcerias

Hoje inicia uma nova conquista para as mulheres no futebol: tem início os treinos do time feminino da Sociedade Esportiva Palmeiras. A equipe conta com atletas que já passaram pela Seleção Brasileira, além de ser treinada por Ana Lúcia Gonçalves, técnica nas licenças A, B e C da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

O projeto tem parceria com a prefeitura da cidade de Vinhedo (São Paulo), situada a 81 quilômetros de distância da capital, e o time feminino alviverde mandará seus jogos no Estádio Nelo Bracalente, situado na mesma cidade e com capacidade de 4200 pessoas. A equipe disputará o Campeonato Paulista e a Série A2 do Campeonato Brasileiro.

O projeto já havia sido anunciado em dezembro pelo presidente do clube Maurício Galiotte, que já havia definido a comissão técnica para o time e a busca pela criação de melhor infraestrutura para atender as jogadoras. Nesta quarta-feira, aconteceu uma coletiva de imprensa para a apresentação do time feminino. As 20 meninas foram apresentadas uma por uma a frente dos jornalistas, ainda restando 5 vagas para completar a equipe.

​​Além disso, o diretor de futebol profissional do Verdão, Alexandre Mattos, o gerente do time feminino, Alberto Simão, o prefeito da cidade de Vinhedo, Jaime Cruz e a técnica Ana Lúcia Gonçalves pronunciaram e responderam a algumas perguntas de jornalistas.

A técnica do time feminino, Ana Lúcia, é pós graduada em fisiologia do exercício pela Unifesp e em treinamento desportivo pela Unicamp, além de já ter treinado a Ponte Preta, o Audax e o Guarani. Demonstrou lisonja por ter sido convidada a fazer parte dessa nova proposta, salientando que não se deve comparar o futebol masculino e o futebol feminino, que são modalidades diferentes. Por fim, ressaltou a importância do respeito que estão tendo no clube:

“Procuramos trazer atletas que gostam de trabalhar, que são sérias e que buscam há muito tempo respeito. Elas estão tendo muito aqui. Isso é muito importante para a nossa modalidade. São obstáculos que elas sempre enfrentaram e que agora não estão tendo” - disse a treinadora.

A jogadora Carla representou todo o time durante um pronunciamento, demonstrou bastante alegria e comentou que desistiu de uma oferta da China - onde ela foi artilheira de campeonatos lá - para aceitar o novo projeto do Verdão.

“Estamos felizes por fazer parte do Palmeiras. É um grande time. Quando recebi a proposta, tinha outra da China, mas resolvi ficar no Palmeiras. Conheço o trabalho da Ana. Vê-la como técnica de um grande time me fez esquecer a China, e querer trabalhar no Palmeiras. Estamos felizes com isso, vamos nos preparar para ter grandes resultados, agradar a torcida também. Esperamos dar o nosso melhor dentro de campo e trazer bons resultados”, disse Carla.

Contudo, o coordenador das seleções femininas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Aurélio Cunha, aconselhou que os clubes criassem sua própria estrutura sem parcerias, criando as próprias equipes. O ex vereador já foi dirigente esportivo do São Paulo FC durante as conquistas de 2005 e o tricampeonato brasileiro, além de conselheiro vitalício do clube, o que demonstra bastante experiência no ramo futebolístico.

No entanto, durante a coletiva explicou-se que o tipo de parceria feita pelo Palmeiras é diferente das parcerias das quais Marco Aurélio Cunha mencionava, pois não consiste em apenas pegar um time já montado e colocar o nome do Palmeiras e, sim, montar uma equipe do zero prospectando um mercado internacional e apenas utilizar as estruturas físicas de Vinhedo, devido à qualidade de vida obtida na cidade, que possui o sexto melhor IDH do estado e o 13º do país.

O futebol feminino do Palmeiras já foi bem tradicional: teve início em 1997 e foi vice-campeão brasileiro em 1999, campeão paulista em 2001 e vencedor dos jogos regionais por três temporadas. Também já teve parcerias com as prefeituras de São Bernardo do Campo (2005 e 2006), Salto (2008) e Bauru (2012).

A proposta é muito boa e benéfica para a maior representação das mulheres no futebol feminino. Porém, é uma atitude não tão positiva quando se pensa que isso só está sendo possível após uma exigência da Conmebol que pode impedir as equipes masculinas de participarem das competições sul-americanas. Ademais, vale lembrar que, apesar das explicações do gerente de futebol Alberto Simão sobre a necessidade de ter um lugar para chamar delas e criar identidade, não há nem comparação entre a estrutura de Vinhedo e a estrutura da Academia do Futebol em São Paulo, que atenderia muito mais às necessidades das jogadoras.

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