Fiscalizações apontam 14 clubes da Série A com CTs irregulares

Atualizado: Jul 25

A cada início de ano, a categoria de base entra nos destaques do calendário esportivo nacional através da Copa São Paulo, celeiro de craques, hoje, renomados, que outrora também foram promessas. O Flamengo, por exemplo, lucrou cerca de R$ 260 milhões nos dois últimos anos só com a venda de dois jogadores formados nas categorias de base do clube – Vinícius Jr, que seguiu rumo ao Real Madrid, e Lucas Paquetá, que agora defende o Milan. No entanto, a tragédia que vitimou 10 jovens no CT Ninho do Urubu, do rubro-negro carioca, mostrou que a base precisa ser acompanhada de forma além da superficial, para que se possa garantir, sobretudo, a segurança e a integridade dos atletas.

A segurança aparece, inclusive, na Lei Pelé – que regulamenta o desporto não-profissional no país –, como um dos princípios nos quais o esporte se fundamenta. Por isso, fica determinado que, para adquirir o selo de formador, o clube precisa cumprir alguns pré-requisitos, que abrangem garantir assistência educacional, psicológica e médica, assegurar alimentação, transporte e convivência familiar e oferecer uma formação gratuita ao atleta. Esses mesmos pré-requisitos indicam, também, que o clube deve manter alojamento e instalações desportivas adequados, sobretudo em matéria de alimentação, higiene, segurança e salubridade.

De acordo com a lista atualizada no último dia 4 de fevereiro – poucos dias antes de acontecer o incêndio no Rio de Janeiro –, chega a 37 o número de clubes formadores no com selo A (com duração de dois anos), incluindo grandes clubes da elite do futebol brasileiro, como Bahia, Cruzeiro, Athletico, Santos e o próprio Flamengo. Com selo B (duração de um ano), a CBF lista cinco clubes, com nomes como a Chapecoense, o Avaí e o Ceará.

No entanto, a onda de negligência que precedeu e motivou a tragédia fez com que (antes tarde do que nunca) as autoridades olhassem com mais cuidado para estes espaços e agissem. Na última semana, os Centros de Treinamento dos clubes brasileiros que disputam a série A passaram por vistorias rigorosas e minuciosas que já resultaram em notificação e até interdição de alguns CTs. As ações foram desempenhadas pelas prefeituras e autoridades locais em cada cidade onde os clubes têm sede.

Situação dos times vistoriados

Botafogo

Entre os vistoriados, foi o que apresentou a situação mais alarmante. O alojamento das categorias de base foi fiscalizado na quarta-feira, 13, e interditado pela Polícia Civil, que recebeu denúncia de irregularidades. No local, foram flagradas rachaduras nas paredes e instalações elétricas inadequadas. A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente acompanhou os trabalhos. Os atletas que ficavam alojados no espaço, que fica no Estádio Caio Martins, foram retirados do local.

Vasco

A Secretaria de Urbanismo da Prefeitura do Rio de Janeiro constatou obras não licenciadas no CT de Vargem Grande. O clube foi autuado e, além de pagar multas, teve o espaço interditado e os treinos foram transferidos para São Januário.

Fluminense

Vistoriado na segunda-feira, 11, o CT do Fluminense passou pelo pente fino da Secretaria de Urbanismo, no entanto, tem pendência por não possuir o alvará de funcionamento da Prefeitura.

São Paulo

A Prefeitura de São Paulo restringiu o uso das instalações do CT do time principal do São Paulo. De acordo com as autoridades, o clube não cumpre com as normas vigentes e, até que apresente uma licença que esteja de acordo com as exigências, terá restrição.

Palmeiras

A Prefeitura de São Paulo também notificou o Palmeiras, na terça-feira, 12, sobre a interdição dos alojamentos e dormitórios do Centro de Treinamento. Em nota oficial ainda na quarta-feira, o clube informou que retirou os atletas do local e os transferiu provisoriamente para um hotel da capital paulista, até que a situação esteja normalizada.

Corinthians

Junto a outros clubes de São Paulo, o Corinthians foi informado que precisará apresentar documentos que comprovem que o CT está apto ao funcionamento e segue as normas estabelecidas pela Prefeitura de São Paulo.

Santos

Abandonado, o CT das Categorias de Base Meninos da Vila vem sofrendo com invasões e vandalismo. O espaço foi doado ao clube pela Prefeitura de São Paulo em 1990, mas, devido à inatividade nos últimos anos, já havia recebido um pedido do Ministério Público para que o terreno fosse devolvido. A justificativa da medida é que o espaço não atende mais a interesses públicos.

O Santos recorreu da decisão, e chegou a elaborar um projeto para construção de um novo CT, em outro endereço.

Cruzeiro e América Mineiro

Tanto o Cruzeiro quanto o América foram notificados por falta de vistoria. Os dois clubes não tinham o auto de vistoria do Corpo de Bombeiros, nem o alvará para que os alojamentos para as categorias de base possam operar.

Em conjunto com os Bombeiros, a Prefeitura de Belo Horizonte realizou vistorias nas instalações dos dois clubes. Apesar de não terem sido identificados riscos, os clubes foram notificados para que regularizem sua situação junto aos órgãos competentes.

Grêmio

O Grêmio passa por situação parecida. Após as vistorias realizadas durante essa semana, as autoridades constataram que o clube está regularizado e apto a manter os CTs em funcionamento, mas é necessário que regularize o alvará junto à Prefeitura de Porto Alegre.

Fortaleza e Ceará

No estado do Ceará, o Ministério Público decretou fiscalização imediata nos clubes após o ocorrido no Ninho do Urubu. Depois da vistoria realizada pelo Corpo de Bombeiros nesta semana, Fortaleza e Ceará foram notificados por estarem em situação irregular.

CSA

O Corpo de Bombeiros informou o CSA de que as instalações de seu Centro de Treinamento não possuem o auto de vistoria e, portanto, não está apto ao funcionamento. De acordo com a notificação do órgão, o clube tem 30 dias para providenciar o alvará. Do contrário, o CT será interditado.

Não é acidente uma ocorrência anunciada. Normas preventivas são o mínimo de respeito que se deve à vida. Com rédeas firmes (pelo menos por enquanto) por parte das autoridades e olhos de todo o país atentos, esta é uma oportunidade dos clubes se corrigirem e demonstrarem preocupação com o trabalho que desenvolvem. Ou para persistirem a negligência e o “jeitinho brasileiro” de fazer tudo parecer certo.

Que a tragédia do Ninho do Urubu não sirva de exemplo apenas para medidas urgentes, mas para que se cumpra o mínimo necessário para garantir a dignidade das famílias que dependem desses clubes.

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