2013: na raça, o Atlético Mineiro conquista a América

Atualizado: 26 de Jul de 2020

Foi no embalo dos sons de “eu acredito” que vinham das arquibancadas que no dia 24 de julho de 2013 o Clube Atlético Mineiro levantou a taça de campeão da América, sendo até hoje o maior título de sua história. Na fase de grupos ao lado de São Paulo, Arsenal de Sarandí e The Strongest, garantiu a primeira colocação, perdendo apenas para o São Paulo quando já estava matematicamente classificado e dono da primeira posição.

O Atlético sempre foi um time de raça. Mais parece um galo de briga, que nunca se entrega e luta até morrer”. São essas as palavras do chargista Mangabeira expostas no site oficial do clube, este teve a importante missão de desenhar o mascote que identificasse a bravura da torcida e do time, corporificadas no “Galo Doido”. Bravura, raça e até fé foram mesmo características fundamentais no caminho atleticano até a coroação na Libertadores, foi preciso acreditar e não ir embora antes do apito final para contemplar a festa alvinegra.

Nas oitavas de final, seu adversário novamente foi o São Paulo e no Morumbi, conquistou uma vitória tranquila por 2 a 1, com gols de Ronaldinho Gaúcho e Diego Tardelli. Ronaldinho, eleito melhor jogador do mundo em 2004 e 2005, é saudado até hoje com carinho pela massa atleticana e teve naquela noite uma das suas comemorações de gols mais emblemáticas, quando repetiu freneticamente que “aqui é Galo!”. No Independência, o jogo de volta reservou mais uma vez o triunfo da equipe mineira e selou a passagem para as quartas de final com um placar de 4 a 1, sendo três gols de Jô, atleta eleito artilheiro da competição.

No Estádio Caliente contra o Tijuana, o Atlético conseguiu um empate de 2 a 2, em uma partida que contou com o brilho de Luan. Em casa, em uma apresentação muito abaixo do esperado, o galo manteve o placar de 1 a 1. Mas engana-se quem olhando para o resultado, supõe uma classificação tranquila, pois houve desespero e emoção até o último minuto. Aos 47 da segunda etapa, Leonardo Silva cometeu um pênalti no jogador mexicano Marquez e o autor do gol do Tijuana, Riascos, pediu confiante para fazer a cobrança. Podia ser aquela a chance de vitória do melhor time na partida e o encerramento da Libertadores para a equipe mineira. As arquibancadas do Estádio Independência por alguns segundos foram cobertas pelo mais profundo silêncio que logo se transformou em grito avassalador quando o pé esquerdo de Victor mandou para longe o fim de um sonho. Ali, também, nascia o goleiro que se tornaria marca do Atlético Mineiro.

Contra o Newell’s Old Boys, pela semifinal, mais uma vez fez uma partida muito abaixo do esperado e sofreu uma derrota por 2 a 0. Em casa, nos braços da torcida e com a dura missão de reverter essa vantagem, abriu o placar logo aos três minutos com gol de Bernard e aos 43 do segundo tempo Guilherme fez o segundo e manteve o sonho da Libertadores, mais do nunca, vivo. Com o fim da prorrogação e nenhuma mudança no placar, chegou o momento da disputa por pênaltis. Chegara a hora de novamente Victor brilhar. Mesmo com as falhas de Jô e Richarlyson, na terceira e quarta cobrança, a sorte estava do lado atleticano, tendo a equipe argentina também falhado duas vezes. Dos pés de Ronaldinho Gaúcho saiu o terceiro acerto, das mãos de Victor a defesa da bola chutada por Maxi Rodríguez e do abraço dos companheiros de equipe o desfecho que, por vezes, pareceu impossível. Mas era muito real. O Clube Atlético Mineiro estava na final da Libertadores da América.

O último desafio era contra a equipe paraguaia e tricampeã da competição, Club Olimpia. No estádio Defensores del Chaco, o galo encontrou uma equipe experiente e forte na marcação, assim saiu amargando uma derrota de 2 a 0, em uma noite na qual sua principal referência em campo, Ronaldinho, não fez boa apresentação e chegou a ser substituído. No segundo jogo da grande decisão, a chegada do ônibus que levava a delegação mineira foi recepcionada com festa pela torcida. Nas estampas das camisas dos jogadores, a mensagem “Yes, we can” (“Sim, nós podemos”) e para a torcida que compareceu na noite de quarta-feira no Mineirão, a certeza de que não existia nada impossível para o Atlético. O primeiro tempo terminou em um empate sem gols, mas das arquibancadas o que se ouvia era um “eu acredito” ensurdecedor. No primeiro minuto da segunda etapa, o gol da esperança pelos pés de Jô e aos 41 minutos, a cabeçada de Leonardo Silva na bola que foi parar no fundo da rede e proporcionou mais que a comemoração eufórica, a respiração aliviada.

​​Na prorrogação, o placar não mudou e o grande campeão seria decidido nos pênaltis. Victor defendeu a primeira cobrança da equipe paraguaia e Alecsandro, Guilherme, Jô e Leonardo Silva marcaram para o galo. Não foi nem preciso Ronaldinho Gaúcho marcar o seu, pois na quinta cobrança do Olimpia, Giménez mandou no travessão. “Ganhamos no coração, na raça e fizemos gol aos 43 do segundo tempo. E faltava isso na minha vida, muito obrigado ao Galo”, o técnico Cuca agradeceu, entrou para a história e provou junto com o Clube Atlético Mineiro que nada está perdido até o fechar das cortinas.

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