O Brasil é o berço que não acolhe

Atualizado: Jul 26

O futebol é a paixão do brasileiro. Muitas crianças já sonharam um dia em ser jogador, vestir a camisa do seu time do coração, conquistar o país, a América e o mundo. Nem todos conseguem, mas alguns sobem essa escalada e chegam até o topo, apesar de muitas vezes a camisa não ser de clubes nacionais.

Vinícius Júnior, Rodriguinho, Paquetá, Arthur. Esses são alguns dos jogadores que fazem aquelas duas horas de jogo valerem à pena, que nos faz acreditar no futebol, que nos faz sentir que o título pode vir naquele ano até que janela de transferência abre e todos eles saem “voando”.

A incapacidade do Brasil de conseguir segurar suas joias não é porque a Espanha ou a China amam mais o futebol, é porque enxergaram o grande negócio que a bola se tornou e investiram alto nisso. O futebol é um grande mercado de entretenimento e o funcionamento desse esquema é “leva quem tem mais” e nós brasileiros que fizemos desse esporte nosso estilo vida que saímos perdendo.

Segundo um estudo feito pelo CIES Football Observatory, 24,9% de todos os jogadores profissionais que atuam na Europa nasceram no Brasil. Seja por uma questão cultural ou porque nascemos com o futebol correndo nas veias, o Brasil é o maior exportador de atletas: cerca de 1.200 jogam em território estrangeiro.

O futebol hoje em dia é um espetáculo, existe toda uma magia que envolve a atmosfera dentro de campo. A adrenalina de não saber o resultado, saber que tudo pode acontecer, as faltas bem batidas, as canetas dadas e recebidas, o gol de voleio nos últimos segundos, aquele ídolo que entra em campo defendendo o escudo do seu time, tudo isso absorve os corações esperando o grito de gol. Os principais agentes dessa emoção são os jogadores e eles são as estrelas desse show.

Na concorrência mercadológica o Brasil está muito atrás dos clubes europeus ou chineses ou do oriente médio. Eles oferecem as melhores oportunidades salariais, de trabalho, de reconhecimento mundial e de vida. Um jogador não vai ser fiel a um time ao ponto de trocar 500 mil reais por milhões de euros, um CT com os mais novos equipamentos por um que mal tem a estrutura básica, mostrar o seu futebol para o mundo por mostrar para um país.

Vamos fazer um balanço da Copa do Mundo de 2018. Dos 23 nomes chamados por Tite apenas três jogavam no Brasil, três. Olhando de longe parece que jogar no exterior é um pré-requisito para vestir a amarelinha e quando se olha de perto também. O Arthur é uma das grandes revelações do futebol brasileiro, na época da convocação já tinha sido contratado pelo Barcelona, um dos maiores times do mundo, mas ainda não tinha estreado. Parece que isso não encheu os olhos de Tite.

Nações com 1/3 da nossa cultura futebolística hoje em dia levam nossas estrelas devido a um caos interno total. Nós torcedores assistimos nossos jogadores ganharem, no exterior, títulos por outros clubes, tornarem-se ídolos de outros clubes sendo que foi o Brasil que os criou, mas não soube acolher. Uma pena, porque nosso fute que uma vez foi arte agora está desastre.

Receba as novidades

do Futebol Por Elas

  • Facebook - Black Circle
  • Twitter - Black Circle
  • YouTube - Black Circle
  • Instagram - Black Circle