Lugar de mulher é onde ela quiser? O machismo nas torcidas organizadas

Atualizado: Jul 25

Na última sexta-feira (08), o Dia Internacional da Mulher movimentou as redes sociais - principalmente dos clubes e também das torcidas organizadas. Entre as frases ditas está "lugar de mulher é onde ela quiser". Mas será que dentro do mundo futebolístico essa afirmação é real?

Na quarta-feira (13), um vídeo viralizou nas redes sociais. Nele, uma torcedora do Grêmio é impedida de subir no alambrado, os dois meninos que aparecem na imagem alegaram que "gurias não podem ficar na barra". O desabafo da torcedora foi realizado no Twitter, e entre os comentários existem relatos de torcedoras que deixaram de assistir as partidas na Geral do Grêmio justamente por causa dessas situações de machismo.

Uma destas torcedoras é Helena (nome fictício), que desde a semifinal da Copa do Brasil de 2016 não frequenta mais o setor da torcida organizada. "Sempre que eu ia rolava os olhares estranhos dos homens, piadinhas machistas que infelizmente já estamos acostumadas a receber. E também umas três ou quatro vezes, tentava subir o alambrado, nas grades, muros e os caras ou não deixavam eu nem subir... e quando subia, eles me puxavam e diziam que mulher não podia subir, que infelizmente a Geral não deixavam as mulheres".

​A situação deixou a torcedora desconfortável, que decidiu assistir as partidas na Superior Norte. "Fiquei triste. Se não estou confortável e não tá sendo legal, infelizmente tomei a decisão de não ir na Geral do Grêmio. Não fiz nem a biometria, porque não tenho mais vontade. Escolhi a Superior Norte pois fica perto da organizada, consigo cantar, vibrar e torcer o tempo inteiro. Infelizmente perto da banda não dá, optei por este setor".

Mas as situações de machismo não estão apenas na Geral do Grêmio, Helena também relata que enfrentou situações nas catracas, filas e também nos bares que estão nas proximidades do estádio gremista. "Já discuti várias vezes com homens. Foram situações que me deixaram tristes, e que quando entrei no estádio pensei: 'será que vale a pena tá aqui'? É bem difícil, tu chega estressada, triste. Quase chorei após discutir com um cara porque ele falou palavras de baixo calão".

Apaixonada pelo Grêmio e torcedora assídua, Helena também organiza excursões para os jogos do Tricolor. Momentos estes que também causam situações de desconforto. "Tu escuta coisas antes mesmo de entrar no estádio. Desde ir para a Arena, durante a organização da excursão, saída, lugares onde paramos para lanchar, quando chegamos ao estádio, nos bares... Fui em vários jogos, não vou deixar de ir".

"Os homens não tem noção, ou não querem ter do que eles fazem com a gente em dia de jogo. As mulheres que gostam e vão ao estádio são fortes. O que é normal para os homens, o que é uma diversão para eles, o que é ser livre para eles, para nós ainda é muito difícil", finaliza Helena.

A reportagem do Futebol por Elas entrou em contato com a Geral do Grêmio, mas até o fechamento desta matéria, não tivemos retorno.

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