Özil é um exemplo de que o preconceito é um problema mundial

Atualizado: Jul 25

Enquanto a França comemorava o mundial com uma seleção com 19 “gringos”, entre imigrantes, filhos de imigrantes ou nascidos em territórios pertencentes à França, a Alemanha chorava a desclassificação prematura e problemas políticos incomodavam Mesut Özil.

Há alguns meses, o jogador publicou uma carta renunciando a camisa da seleção da Alemanha, devido a desentendimentos com a Federação Alemã de Futebol (DFB) acusando-a de racismo, especialmente o Reihnard Grindel, presidente da federação, após uma foto onde ele e seu companheiro de seleção Gündogan posaram para uma foto com o atual presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan, em Maio deste ano.

Özil conta que desde então vinha sendo desrespeitado pela DFB e muito cobrado politicamente. Ele explica que a foto tem a ver com sua origem e raízes, apesar ter nascido na Alemanha, até então Ocidental, sua família tem origem turca. “Para mim, ter uma foto com o presidente Erdogan não tem a ver com política ou eleições, mas com o respeito que tenho ao mais alto cargo do país de minha família”.

Em 2014, quando o país foi campeão mundial, parece que essas questões culturais não importavam. Sete dos campeões eram filhos de imigrantes ou imigrantes e o respeito e o orgulho dos 23 era enorme. Contudo, quatro anos depois o jogo virou. Na alegria todos são irmãos, mas na tristeza alguém sempre carrega um fardo mais pesado, ainda que o futebol seja um esporte coletivo.

A imigração é uma consequência natural de um mundo de conflitos e globalizado. Em 2009, Özil escolheu vestir a camisa alemã, talvez porque tenha nascido e crescido no país. A Alemanha recebeu seus pais turcos e fez parte da vida do jogador, mas não se pode ignorar que outra cultura também faz parte de quem ele é.

O racismo não é exclusivo da Alemanha, em todos os cantos do mundo ele existe. Percebemos isso na própria campeã, França, onde houve uma grande discussão mundial se os jogadores eram ou não franceses, se o título era ou não, de fato, da França.

Talvez tirar uma foto com um líder político seja complicado por ele ser uma figura pública, talvez ele não estar no seu auge de desempenho tenha dado mais espaço para esses discursos. Mas nada, nada mesmo, justifica preconceito. Somos todos iguais, independente de nacionalidade, credo ou cor. Nós somos seres humanos.

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