A paixão e o Jornalismo Esportivo

Atualizado: Jul 25

A cobertura esportiva no início do seculo XX, jamais poderia imaginar que nos dias atuais existiria uma equipe separada dentro das redações só para a cobertura de esporte, sobretudo de futebol. As crônicas esportivas, recheadas de emoção na época de Nelson Rodrigues criou verdadeiras lendas no futebol, que até hoje estão presentes no imaginário de várias gerações.

Aquele jornalismo que sobreviva com poucas páginas no final dos jornais, criou ícones que o jornalismo factual não é capaz de criar, apesar de todo midiatismo em cima de muitos jogadores. O 'fato' não aceita mais a narrativa emocional, a tecnologia que verifica cada lance não deixa espaço para miticismos, cada pé na bola é notado, até mesmos os lances rápidos, que o olho humano não é capaz de acompanhar.

Além de ter ganhado estádios em todo mundo, campeonatos que atraem jornais nacionais e internacionais em busca de manchetes, o futebol é também uma "máquina" de produzir ídolos, move multidões atrás de jogadas, dribles e gols. A mistura do romance e do jornalismo na cobertura do futebol rendeu drama e poesia nas páginas que Nelson Rodrigues e Mário Filho escreviam. A dramaticidade aumentou a idolatria com relação a este ou aquele jogador. Personalidades do futebol viraram semideuses, como o Pelé.

Atletas mais atuais, que pegaram um outro fazer jornalismo, mais fidedigno ao fato, não virou uma lenda, como é o caso do Ronaldo que passou um tempo afastado para curar lesão e voltou como se nunca tivesse parado, recebeu adjetivos pelo mundo de "fenômeno", mas não virou um semideus.

A cobertura esportiva continua cheia de adjetivos e apelidos, "matador", "vai que é sua", " o menino fulano de tal", mas nos jornais é o factual que predomina. A romantização e até mesmo o aumento de um lance é facilmente detectado pelo telespectador com a presença da televisão e principalmente com o avanço da tecnologia.

E o dilema segue no jornalismo esportivo, espetáculo versus o fato, romance e paixão verso a parcialidade do profissional de comunicação. E o impasse continua também com o público,aqueles que desejam ver um show no futebol e a paixão do jornalista, e aqueles que querem se encantar com a partida mas querem o jornalista fora do espetáculo.

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do Futebol Por Elas

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