O dilema dos jogadores naturalizados

Atualizado: 25 de Jul de 2020

Paixão, nacionalismo, patriotismo aflorado, amor à camisa. São vários os sentimentos que uma Copa do Mundo gera na torcida, mas, principalmente, nos jogadores. Participar de uma Copa do Mundo – e ser campeão – é o sonho de todo jogador de futebol, mas, e quando esse jogador defende uma seleção que não é a do seu país de origem, de onde ele nasceu?

A cada Copa do Mundo, o número de jogadores naturalizados é ainda maior. Em 2002, o Mundial contou com 43 jogadores que defenderam uma seleção diferente de seu país natal. Já em 2006, foram 64 atletas. Em 2010, esse número subiu para 75. A Copa de 2014, realizada no Brasil, contou com 85 jogadores defendendo seleções de países em que não nasceram, entre eles quatro brasileiros atuando por outras seleções. A própria Alemanha, país campeão, contou com jogadores naturalizados.

Em 2018, foram 82 atletas naturalizados. Entre as 32 equipes que participaram da competição, apenas Brasil, Alemanha, Colômbia, Coreia do Sul, Inglaterra, México, Panamá, Peru, Suécia e Uruguai não contaram com nenhum atleta naturalizado. O Marrocos é o campeão de “estrangeiros”, dos 23 convocados, 17 não nasceram no país. Seja por falta de vaga na seleção de origem ou gratidão emocional e financeira com o país que o acolheu, muitos jogadores desistem de esperar uma chance de atuar pela seleção nacional de seu país para defender as cores de uma seleção estrangeira.


Alguns jogadores realmente têm uma história com o novo país, o zagueiro Pepe, por exemplo, é brasileiro de nascimento, mas português de coração. Naturalizado, ele defende a seleção portuguesa desde 2007. Pepe começou sua carreira no Corinthians de Alagoas e, ainda, aos 17 anos foi para Portugal, onde construiu sua carreira e família. Ele tem esposa e filhas portuguesas. O jogador afirma ser português e já declarou em entrevista que gostaria de ter nascido em Portugal, o qual se refere como “meu país”. Igualmente, Higuaín, atacante da seleção argentina, nasceu na França, mas ainda criança se mudou para a América do Sul e, em 2007, conseguiu naturalização argentina e, desde então, defende a seleção do país. Em 2006, o jogador chegou a ser convocado para a seleção francesa, mas recusou, afirmando que, apesar de ter nascido na França, tem o coração argentino.

Embora existam casos de amor com o novo país, muitas vezes, a naturalização dos jogadores acontece por falta de espaço em sua seleção natal ou por seu país ter menor tradição no futebol e poucas chances de disputar grandes torneios como uma Copa do Mundo. Na competição de 2018, caso fosse proibido a naturalização, 22 dos 82 convocados não estariam na competição, por não terem seu país natal classificado.

Muitas vezes, o sonho de disputar uma Copa do Mundo fica acima da vontade de defender as cores de seu país. Para o Mundial de 2014, a Argélia contou com 17 jogadores nascidos na França, muitos deles se naturalizaram só após a classificação do país. Diversas vezes, a naturalização ocorre por puro interesse em disputar a Copa do Mundo, sem o jogador ter ligações afetivas com o país e, após a competição, ele nunca mais joga novamente.

Por esses motivos, a naturalização divide opiniões. Ao se tornar espanhol, em 2013, o brasileiro Diego Costa foi chamado de traidor da pátria pelo então treinador da seleção Brasileira Luiz Felipe Scolari. Muitos jogadores e ex-jogadores afirmam que jamais trocariam seu país natal, mesmo que lhes custassem jamais jogar uma Copa do Mundo. No entanto, também temos muitos que entendem que trocar de país também faz parte do jogo.

Por um lado, temos o sonho de jogadores de futebol de disputar uma Copa do Mundo. Muitos querem a alegria, emoção, vibração que apenas uma Copa é capaz de proporcionar. É uma realização profissional, o ápice de um sonho, seja defendendo o país onde nasceu ou não, seja por amor a nação que o acolheu ou por simples vontade de jogar a competição mais importante do futebol mundial. Do outro, temos o amor à camisa e à sua nação.

O jogador veste a camisa e se enche de vontade de ser campeão do mundo, exibe seu orgulho e todo seu patriotismo para defender não só sua seleção, mas seu país. O futebol, mais ainda em tempos de Copa do Mundo, é um grande causador de sentimentos de nacionalismo e os jogadores querem – e podem - provar isso dentro de campo. Quando um jogador defende a seleção de seu país natal, as lágrimas em campo, de tristeza ou alegria, não são apenas por sua realização profissional, mas por amor à sua nação.

Seja a favor ou contra, a naturalização é uma realidade distante de ser mudada, pelo contrário, a cada ano seu número aumenta. Cada vez mais teremos jogadores disputando contra seu próprio país de nascimento o título de campeão do Mundo.

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