Ingressos caros e o silêncio das arquibancadas

Atualizado: Jul 25


O futebol brasileiro que antes era movido pelos torcedores,

hoje está sendo dominado pela diretoria, receita e elite brasileira

A elitização do esporte mais popular do país está afastando o torcedor do clube, do time, da paixão e festa que move um estádio. Com a nova realidade infraestrutural das novas arenas e até mesmo má fase das equipes reflete cada vez mais estádios vazios, principalmente os brasileiros.

O futebol brasileiro que antes era movido pelos torcedores, hoje está sendo dominado pela diretoria, receita e elite brasileira. É comum escutarmos frases e debates do custo dos ingressos atualmente, afinal minha arena vale R$ 300 e vocês só lotam porque pagam R$ 10. Será mesmo que devemos manter diálogos desse nível, será mesmo que devemos deixar que acabem com a magia dos estádios lotados?

Vemos hoje arenas e estádios de grandes times com inúmeras cadeiras vazias. Espaços que poderiam estar preenchidos por torcedores, vagos devido ao alto custo para assistir uma partida. Temos exemplos claros como a partida da semifinal entre Palmeiras x Cruzeiro, na Copa do Brasil, Vila Belmiro estagnada no silêncio, Itaquera entre outros em que vemos assento livres.

No ano passado, o Palmeiras enfrentou em casa o Cruzeiro na semifinal da Copa do Brasil. Estiveram presentes 32 mil pessoas, entretanto chamou atenção o vazio do mosaico localizado na parte mais cara da Arena, enquanto a torcida organizada era a que fazia maior número no local. Torcedores que apoiam o time de corpo e alma desde momentos difíceis até aos bons estão cada vez mais decepcionados com ingressos abusivos e o vazio, silêncio, desanimo e perda do brilho das arquibancadas.

Além do Allianz, vemos situações similares na Vila Belmiro, Arena Corinthians e até mesmo no Estádio do Morumbi. O Santos nos mostra a má administração refletindo em campo e nas arquibancadas, pois além da briga para se reestruturar no futebol e elevar sua posição na tabela apresenta diversos jogos com baixo público em 2018. Já o Corinthians, vem se comprometendo no pagamento da Arena devido à queda dos torcedores na temporada.

O Morumbi que nos últimos dois anos vem apresentando casa sempre lotada não foge dos espaços livres. Apesar das piadinhas dos rivais de ingresso a preço de banana, o que vemos nos jogos do São Paulo são arquibancadas extremamente lotadas e camarotes e cadeiras com preços exorbitantes vazios. Porém, diferentemente das novas estruturas das Arenas o estádio mantém os torcedores longe dos campos, fazendo com que o time visitante não se sinta pressionado com o som da torcida. Talvez, se as arquibancadas fossem alteradas para os espaços vazios dos camarotes com open food, open bar e ar condicionado, reduziria a distância e aumentaria a festa tricolor em casa.

A torcida da corda, termo utilizado entre os torcedores na década de 90 para se referir às divisões da torcida por meio de uma corda, viveram a melhor época das arquibancadas. A qual os preços variavam entre R$ 5 e R$ 10. Enquanto hoje esse impacto negativo que o futebol brasileiro está enfrentando é reflexo da nova política de venda de ingressos. As receitas com estádios dos clubes brasileiros sempre estiveram muito aquém de seu potencial e os gestores dos clubes, quando questionados defendiam a tese que sem uma nova infraestrutura seria impossível evoluirmos.

Esse foi o grande equívoco, pois as novas ações resultam no afastamento dos torcedores do clube. Precisamos resgatar a festa do futebol, com preços populares, acessíveis ao bolso de todos, afinal ir a uma partida de futebol, deveria ser rotina de quem mora no chamado “país do futebol” e não um evento esporádico.

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