Precisamos superar o Mundial de 51

Atualizado: Jul 25

A organização do torneio teve um propósito e, talvez, as discussões

deveriam guiar-se pelos motivos aos quais motivaram sua realização, não o campeão

Se você é palmeirense e nunca entrou na discussão sobre a legitimidade da Copa Rio de 1951, sinto muito em te informar, mas está vivendo sua paixão de maneira, pelo menos, equivocada. Sim, o Palmeiras foi campeão do Torneio Internacional de Clubes daquele ano e é verdade também, que a Fifa já reconheceu o título como similar a um mundial. Contudo, nós, palmeirenses, devemos superar esse campeonato.

A organização do torneio teve um propósito e, talvez, as discussões deveriam guiar-se pelos motivos aos quais motivaram sua realização, não o campeão. Para entender como surgiu a ideia do campeonato é preciso voltar uns anos e todo torcedor conhece e concorda com o jargão “não é só futebol”, nunca foi e não será apenas futebol.

Essa modalidade esportiva mexe com diversos sentimentos, entre eles, a autoestima. Portanto, em contexto da Segunda Guerra Mundial, a Copa do Mundo só voltou a ser realizada em 1950 e sediada no Brasil. No entanto, o país sede perdeu a final para o Uruguai. Com isso, era preciso realizar algo tão grandioso para reconhecer os esforços dos brasileiros. Assim, surgiu o Torneio Internacional de Clubes, conhecida como a Copa Rio.

A intenção era promover um encontro entre campeões de vários países. O Palmeiras apresentava uma trajetória com campanhas excelentes e o critério para participação selecionava os melhores times. Como ainda não existia o campeonato brasileiro, além do Verdão, o Vasco também representou o Brasil, ambos campeões estaduais da época. A final disputada pelo Palmeiras e a Juventus foi vencida pelo time alviverde.

Nesta semana, a discussão voltou à tona com declarações do ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, reconhecendo o Palmeiras como o primeiro campeão mundial, mas é preciso separar as coisas. O mundial de hoje em dia é diferente da Copa Rio, criada única e exclusivamente para levantar a autoestima de um país derrotado em casa na final da Copa do Mundo de 1950.

Assim como o ex-goleiro e eterno “santo”, Marcos, concordo que esse título representa um mundial para quem disputou e torceu por ele. Contudo, nossa geração conhece e reconhece outro modelo de disputas que levam ao mundial de clubes.

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