Nos gramados de Fortaleza, mãe e filha evoluem no futebol e na vida


Na mitologia grega, a deusa Nice representa a coragem, o triunfo. É personagem importante para o esporte, sempre presente no verso das medalhas olímpicas. Nice personifica a garra que um atleta deve emanar em cada treino, em cada jogo. No entanto, não precisa ser uma deusa para apresentar as mesmas características veneradas de Nice, nem mesmo atleta. Ser mãe, por exemplo, é demonstrar coragem para lutar não só pelo próprio sucesso, como também pelas conquistas dos filhos.

Agora, quando se é mãe e atleta, a disposição para lutar se multiplica, transborda. E, às vezes, esse transbordar faz com que a paixão pelo esporte também chegue aos descendentes. Cida Diógenes, 33 anos. Raynara, 13. Jogadoras de futebol. Ambas laterais, mas a proximidade entre elas não acaba aí. Cida, mãe. Raynara, filha. Nos gramados do Menina Olímpica, time cearense de futebol feminino, mãe e filha treinam juntas, compartilhando alegrias, desafios e, acima de tudo, cumplicidade.

Cida sempre gostou de se fazer presente nos campos de futebol, mas, anteriormente, os incentivos ao futebol feminino eram ainda menores do que são hoje. “Na minha época não existia time feminino, a gente jogava com homens”, relembra. Raynara começou a se interessar pelo esporte ao ver a mãe jogar. Diz querer ser como ela – inclusive, a escolha pela posição de lateral não foi por acaso.

Em novembro de 2016, mãe e filha conheceram o Menina Olímpica e, juntas, passaram a integrar o elenco do clube. A relação que sempre fora de amizade, passou a ter um componente especial – a oportunidade de aprenderem, simultaneamente, não só fundamentos do esporte, mas, principalmente, da vida. “Eu acho que é muito importante, tanto pra ela, como pra mim, termos essa oportunidade de jogar juntas, dividir o campo, a atenção. É muito gratificante pra mim e acredito que para ela seja também, porque poucas pessoas têm essa oportunidade, até mesmo no futebol masculino, de ter pai e filho jogando juntos, quanto mais no feminino”, conta Cida.

Entre momentos de riso e seriedade, falam sobre a cobrança que há entre elas. Sempre visando melhorias. Sempre buscando a evolução. A filha não hesita em falar para Cida em quais pontos a mãe pode progredir – e o contrário também ocorre. “Eu quero que ela seja a melhor, eu quero vê-la crescer”, enfatiza a mãe.

Cida demonstra muita gratidão ao falar sobre o time que possibilitou que ela e a filha mostrassem “o que sabem fazer de melhor”. Raynara também demonstra gratidão, e fala que, como jogadora profissional, pretende dar uma vida de rainha para a mãe. Se, através do esporte, Raynara poderá proporcionar uma vida semelhante a de uma rainha à mãe, ainda não sabemos. Mas, que Cida demonstra força e coragem dignas de uma divindade da mitologia grega, disso podemos ter certeza.


Receba as novidades

do Futebol Por Elas

  • Facebook - Black Circle
  • Twitter - Black Circle
  • YouTube - Black Circle
  • Instagram - Black Circle