Baêa, na alegria ou na tristeza

Atualizado: 25 de Jul de 2020

Quando eu me apaixonei pelo Esporte Clube Bahia, ele vivia o pior momento da sua história. O time havia acabado de cair para série C, vivia um jejum de títulos que duraria 10 anos e estava praticamente falido, não havia motivos para uma criança de 5\6 anos se apaixonar por ele. Mas, quem disse que existe um motivo específico para explicar o amor?

Encontrei o Baêa em um momento complicado, me apaixonei primeiro pela sua torcida, que mesmo com todos os problemas lotava o estádio para acompanha-lo jogar. Em 2003 o clube entrou em uma profunda crise sendo rebaixado para série B e em 2005 para a série C, foi durante esse período que me aproximei daquele que seria o grande amor da minha vida.

Quando o Baêa estava na série C, sua torcida lotava o estádio, fazia festa, vestia a camisa e tornava à antiga fonte Nova um verdadeiro carnaval. Depois de 2 anos amargando a terceira divisão, em 2007 o clube conseguiu o acesso em um jogo emocionante com direito a gol do acesso aos 50 minutos do segundo tempo. Aquele que era para ser um momento de alegria e comemoração, virou tragédia, os anéis do estádio cederam e a queda matou 7 torcedores.

O ano de 2008 se iniciou de maneira estranha, o tricolor mudou de cidade e continuava vivendo dramas, ausente da série A e sem conquistar títulos estaduais, o Baêa lutou contra o rebaixamento e fez sua torcida sofrer mais um ano. Nem nesse momento os torcedores abandonaram o time, o amor não permitia que o esquadrão de aço ficasse sozinho.

Em 2009 pouca coisa mudou, apesar de uma campanha melhor do que a anterior, o clube não conseguiu o acesso, eram 7 anos sem ir a elite do futebol, o medo desse sofrimento nunca acabar assustava os tricolores. Mesmo assim, em 2010 a torcida, mais uma vez, mostrou que era e é apaixonada pelo Baêa, aquele ano se iniciou de maneira diferente, aos que acreditam na mística baiana, aquele estava escrito para ser o ano TRICOLOR. Não deu outra, mandando os jogos no Pituaçu e com uma torcida que lotou quase todos os confrontos, o time conseguiu o acesso com duas rodadas de antecedência e no dia 13 de novembro de 2010, Salvador ganhou um carnaval fora de época, acabava ali um tormento. Naquele ano, a torcida tricolor ganhou o prêmio da CBF de torcida de ouro, devido a festa e o número de torcedores que foram ao estádio.

Aquele foi o meu primeiro momento 100% feliz com o Esporte Clube Bahia, sentia a adrenalina no meu corpo, minha voz já havia sido perdida e eu não conseguia pensar em mais nada, naquele instante eu era felicidade e foi ali que eu entendi que se fosse necessário chorar pelo tricolor, eu choraria, pois os momentos que iria ter de alegria seriam muito melhores. O jejum de títulos durou mais 2 anos, apenas em 2012 conquistamos um estadual e soltamos um grito guardado durante 10 anos: É CAMPEÃO. A torcida comemorava nas ruas, o estádio ficou pequeno, todos queriam participar daquele momento e compartilhar sua felicidade com o esquadrão de aço.

Hoje, o clube vive momentos de altos e baixos, são triunfos e derrotas, mas o amor só cresce, eu nasci para amar o Baêa e farei isso por todos os dias da minha vida. Ser torcedor é se jogar em um montanha-russa, é saber que as dificuldades aparecerão, mas que os momentos felizes serão INCOMPARÁVEIS.

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