Jogos Emblemáticos: Cruzeiro aplica goleada no Atlético e escapa do rebaixamento

Atualizado: Jul 25

Eu sei bem o que passou na sua cabeça no dia 4 de dezembro de 2011, cruzeirense. A angústia diante da possibilidade de um rebaixamento, o reconhecimento de que o time estava jogando abaixo do esperado e o medo de entrar em campo sem dois de seus principais jogadores: Montillo e Fábio.

Eu imagino o que passou na sua cabeça no dia 4 de dezembro de 2011, atleticano. A possibilidade de rebaixar o maior rival, de terminar o ano coroando a boa arrancada na reta final da competição com uma vitória. Mas, a bem da verdade, para o atleticano a última rodada do Brasileirão já não tinha tensão alguma. O alívio para o Atlético veio uma rodada antes: a vitória diante do Botafogo garantiu a permanência da equipe da série A.

Para o lado azul de Minas a semana que antecedeu o jogo foi tensão pura. Além da ausência de Fábio e Montillo, o Cruzeiro também estava sem lateral direito: Marquinhos Paraná estava suspenso e, sem opção para substituí-lo na reserva, o zagueiro Léo precisou atuar improvisado na posição. Com 40 pontos no campeonato, o Cruzeiro precisava da vitória já que Ceará e Athletico Paranaense tinham, respectivamente, 39 e 38 pontos e podiam escapar. Não era o cenário ideal e a nem no sonho do mais fanático cruzeirense foi imaginado uma goleada histórica.

O Cruzeiro era comandado por seu quarto treinador na temporada: Vágner Mancini, que somava até o momento duas vitórias, cinco empates e quatro derrotas no campeonato. O time que entrou em campo para lutar contra o rebaixamento foi Rafael, Léo, Naldo, Victorino e Diego Renan; Fabrício, Leandro Guerreiro, Charles e Roger, Anselmo Ramon e Wellington Paulista. A equipe atleticana era comandada por Cuca, que havia iniciado a temporada no Cruzeiro. A escalação do Atlético na última rodada do Brasileirão 2011 foi: Renan Ribeiro; Serginho, Leonardo Silva, Réver e Richarlyson; Pierre, Fillipe Soutto, Carlos César e Daniel Carvalho; Bernard e André.

O clássico foi disputado na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, pois o Mineirão estava passando por reforma para sediar a Copa do Mundo de 2014. Lá, com a torcida bem perto do gramado, os cruzeirenses se amontoaram nas arquibancadas com um único objetivo: apoiar e, antes da bola rolar, rezaram um “pai nosso”. O Cruzeiro entrou em campo vestido com o uniforme branco, que segundo superstição celeste, dá sorte para a equipe. Buscando o ataque desde o apito inicial, logo o Cruzeiro conseguiu marcar o primeiro gol: aos 9 minutos, Roger - que entrou para suprir a ausência de Montillo - abre o placar.

O Cruzeiro não parou de atacar e, aos 28 minutos, após cobrança de falta, Leandro Guerreiro cabeceia em direção ao gol e coloca a bola no fundo da rede. Era o 2 a 0, que começava a dar certo alívio aos cruzeirenses que estavam desesperados antes da partida. O autor do segundo gol, Guerreiro, vivia um momento complicado: havia perdido o sogro há poucos dias e a esposa sofreu um aborto espontâneo no dia anterior ao clássico. Mesmo assim, entrou em campo e fez a diferença na vitória do Cruzeiro.

Logo depois, aos 33 minutos, veio o terceiro gol, dos pés de Anselmo Ramon. O atacante mandou a bola no meio das pernas do goleiro Renan Ribeiro, que ficou sem reação. Com a torcida já em êxtase, no finalzinho do primeiro tempo, o volante Fabrício saiu do campo de defesa e arrancou até a área, de onde chutou no canto do gol. No intervalo, o clima era todo de festa nas arquibancadas que pareciam não acreditar no que o placar mostrava. Mas era real: o Cruzeiro estava fazendo 4 a 0, transformando o esperado drama em uma gostosa goleada.

Sob os gritos de olé, começou o segundo tempo. Logo aos 11 minutos do segundo tempo, Roger driblou a defesa atleticana e passou para Wellington Paulista, que balançou as redes e comemorou sinalizando que já estava tudo resolvido. Quatro minutos depois, veio o gol de honra do Atlético: aos 15 minutos, Réver diminuiu após confusão na área cruzeirense.

A partida, no entanto, também teve algumas cenas lamentáveis. No segundo tempo, a torcida jogou uma bomba no gramado, próximo ao gol de Renan Ribeiro, que felizmente não se feriu. E já nos últimos minutos da etapa complementar, Werley e Wellington Paulista se envolveram em confusão e foram expulsos. Para finalizar o placar, coroando a maior goleada do Cruzeiro em seu rival, Everton marca o último gol para o Cruzeiro aos 45 minutos do segundo tempo.

Com o 6 a 1 no placar, o Cruzeiro fez mais do que escapar do rebaixamento: eternizou o jogo na memória afetiva dos torcedores e transformou o seis em um número significativo para a torcida.

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do Futebol Por Elas

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