De trabalho do clube para Torcida Organizada

Atualizado: Jul 25

O Esporte Clube XV de Novembro de Jaú teve sua fundação no dia 15 de novembro de 1924, a partir daí carrega uma bagagem de histórias boas, outras nem tanto. O que se refere às histórias boas é o XV de Jaú ser celeiros de craques, pois jogadores começam atuando e quando vão embora do clube, saí pra jogar em times grandes; passagem de pessoas que fizeram boa administração no clube e que trabalharam firmes fazendo ótimas campanhas, para o XV de Jaú chegar na Série A1, disputando com times grandes como São Paulo, Santos, Palmeiras e Corinthians; e os títulos conquistados. Por outro lado, teve pessoas que passaram e fizeram má administração, deixando o clube com dificuldade financeira, a ponto de não conseguir tirar o XV de Jaú, da quarta divisão, onde se encontra até hoje, desde 2012, quando foi rebaixado para a Série A3. E por conta da dificuldade financeira, o XV de Jaú, não disputou a quarta divisão em 2015, retornando no ano seguinte, 2016, após parceria de uma empresa da região.

Foi a partir de 2016 que meu amor pelo futebol tomou conta, mais precisamente pelo XV de Jaú, meu time de coração e único. Nunca me vi em arquibancada, muito menos amarrando faixas, menos ainda acordando de madrugada pra acompanhar o time. Tudo começou quando fui trabalhar no XV de Jaú a pedido do assessor de imprensa do clube, ao ir à faculdade onde eu estudava e chamar nós do curso de Comunicação Social pra ajudar no clube nos dias dos jogos, já que era a volta do time e o estádio iria lotar, como de fato lotou.

No começo foi de boa, trabalhava normal e nem me importava com o resultado. Quer dizer, gostava do resultado, mas pra mim era indiferente. E com o passar do tempo, meu chefe trocou de lugar: fui à portaria da cadeira cativa e lá era um lugar perfeito pra quem queria assistir. Mal sabia ele e eu que a partir daquele momento mudaria minha vida. Cada domingo, eu ai pegando gosto e torcendo como uma doida, xingava os jogadores que erravam e o juiz, claro. O segurança que ficava junto comigo, ria de ver como eu torcia. Até que chegou em setembro, o time ia jogar em Santa Cruz do Rio Pardo, mais precisamente dia 11, e a Torcida Organizada Galunáticos estaria presente mais uma vez, já que eles estavam presentes em todos os jogos. Eu, mais que depressa, assim que foi divulgada a lista da caravana, imediatamente deixei meu nome e do meu filho.

Foi minha primeira caravana sem fazer parte da torcida organizada. Fomos em 10 ônibus e mais alguns carros particulares. Meu, foi a melhor caravana da minha vida. Não só por termos ido em 10 ônibus e sim, pela organização, a emoção que senti no campo e o ótimo resultado que trouxemos pra casa. Após esse jogo, fui em mais uma caravana, em Porto Feliz, mas somente com cinco ônibus, o que não deixou de ser emocionante, pois o jogo era muito importante para o XV de Jaú, mas infelizmente, voltamos pra casa tristes. Em 2016 também, o sub20 do XV de Jaú, estava jogando e eu ia, em todos os jogos já que eram realizados no sábado à tarde. O profissional não ficou campeão, mas o sub20 sim, e foi aquela festa.

Meu amor pelo XV de Jaú foi tanto, que depois que acabou o campeonato, decidi entrar pra Torcida Organizada Galunáticos, que foi fundada em 14 de março de 2014. Claro que fiquei morrendo de vergonha, pois só tinha eu de mulher e tem até hoje, mas eles me respeitam e não rola machismo na torcida. Até tem mulheres que torcem pelo XV de Jaú, mas que faz parte da torcida como faço, não tem.

Quando começou o campeonato de 2017, no começo eu ia, só nos jogos de fora, porque ainda trabalhava no clube, mas no meio do ano decidi não mais trabalhar, por torcer demais enquanto trabalhava. O antigo presidente me pegou pulando ao comemorar o gol, apesar dele não ter falado nada, decidi não mais trabalhar e sim só torcer. Durante a semana chamei meu chefe e falei que não ia mais trabalhar, porque estava mais torcendo do que trabalhando e ele entendeu a situação.

Com o passar do tempo, aprendi amarrar faixa, por livre espontânea vontade, agora quero aprender a tocar surdo e caixa, pra poder tocar com os meninos. Estou presente em todos os jogos, tanto na cidade como fora. Desde que entrei pra torcida em 2017, não faltei em nenhum jogo.

Depois de conhecer o futebol, agora posso falar que consigo assistir qualquer time de boa e opinar sobre o jogo, coisa que antes não tinha noção nenhuma. Sou jornalista e justamente por gostar de futebol, me especializei em jornalismo esportivo. O que antes não se via mulheres no esporte, hoje em dia essa barreira está cada vez mais invisível.

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