O legado é a visibilidade

Atualizado: Jul 25

Pela primeira vez, a maior emissora do país está transmitindo os jogos da seleção brasileira feminina na Copa do Mundo. A competição existe desde 1991 sob a organização da FIFA, mas apenas em 2019 ela vem ganhando maior notoriedade pela mídia nacional. Uma breve correção poderia ser feita: O “país do futebol” é apenas “país do futebol masculino”.

O Brasil não é uma das favoritas ao título e nenhuma das cinco estrelas carregadas no escudo da CBF foram conquistas femininas. A modalidade teve desenvolvimento tardio devido aos quase quarenta anos relegados a ilegalidade, apesar disso a história do futebol feminino não é recente, é apenas desconhecida. Nos anos que vigorou a lei, diversas mulheres ousaram dentro das quatro linhas (para maiores informações, visite o site). A aplicabilidade da lei, porém, se deu no sentido que clubes futebolísticos foram impossibilitados de manter campeonatos e formar equipes femininas.

Nas primeiras duas transmissões houve um clima inédito de apoio. Óbvio que nem de longe parecido com as ruas enfeitadas e as famílias reunidas como no mundial masculino, mas estamos caminhando. Esse é o momento de lembrarmos das quinze prisões da primeira árbitra Lea Campos, da ascensão da equipe Radar nos anos 80, do brilho de Marta. É momento para mostrarmos que existem duas séries nacionais (A1 e A2) de campeonato feminino e nelas, diversas mulheres que dedicam suas vidas aos gramados. É momento de apoiar a representação feminina do seu time e se essa ainda não existe, é de se questionar o porquê.

Mais do que críticas vazias, é preciso entender o que já vem sendo feito e o que pode ser melhorado. Para a mídia, é preciso um pouco mais de pesquisa. Ninguém precisa lembrar os feitos de Pelé, Garrincha ou Cafu durante as partidas femininas, isso já estamos cansados de saber e reconhecer que foram grandes. Mas esse é o momento delas e o protagonismo é delas. O futebol feminino deve ser abraçado, principalmente, pelas mulheres. Existem diversos projetos sendo realizados, o que falta é visibilidade. E certamente, esse será o maior legado.

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