Um sonho limitado pelo gênero

Atualizado: Jun 18

Futebol sempre foi um sonho, desde pequena sempre soube que queria fazer algo relacionado a esse esporte, sempre tive certeza que eu era apaixonada pelos estádios e toda sua mágica, mas essa história de amor contou sempre com um grave (não para mim) problema: EU SOU MULHER.


Brasil, país que se declara nação do futebol, local onde esse esporte deveria ser democrático e que o gênero ou qualquer outra causa não deveria ser um problema dentro daquela que é para muitos a maior paixão do povo brasileiro, mas não funciona assim. Infelizmente para uma mulher viver com e de futebol ainda é complicado, a luta pelo espaço desde os gramados até o jornalismo ainda é uma guerra travada diariamente.


Foto: Mari Capra/Internacional

Nossas jogadoras com salários que não chegam nem perto do que um jogador recebe, isso quando elas recebem. Falta de apoio dos clubes. Ausência do público nos estádios. Nossas meninas que sonham em viver da bola passam por situações que não as permitem mostrar toda sua habilidade e quando conseguem chegar um pouco mais longe precisam ir embora do Brasil para poder jogar em grandes ligas, já que nossa federação não investe em um calendário para o futebol feminino.


As jornalistas, comentaristas, colunistas, enfim, todas mulheres que se lançam em trabalhar nesse meio sabem o que sofrem, são comentários machistas, questionamentos sobre sua capacidade de entendimento desse esporte, acusação de não compreender a essência do futebol, julgamento da sociedade que não enxerga com bons olhos, são coisas que acabam virando ‘comuns’ na vida de quem escolhe viver disso, coisas que nos revela o lado sombrio do futebol.


Nas arquibancadas somos vítimas de assédio, de pessoas que não conseguem aceitar que aquele espaço também pertence a mulherada, escutamos frases que nos pedem para voltar para cozinha, somos julgadas por nossos comportamentos, ainda há quem acredite que o futebol é um produto masculino, mal sabem que o futebol pode e deve alcançar todos aqueles que sentem o coração bater mais forte quando inicia-se uma partida.


A luta pela igualdade dentro do futebol é diária, é uma guerra de tamanho imensurável e que não cansa, ainda há muito o que percorrer, muitas mentes para mudar, muito espaço a ser conquistado, muito direito a ser conseguido. Mesmo com todos esses problemas eu quero deixar um recado para todas as meninas que assim como eu amam esse esporte: não deixem de sonhar, não deixem de jogar bola, não deixem de buscar se formar para trabalhar nesse meio, não abandonem os estádios, seremos nós por nós e um dia a real democracia de gênero vai alcançar nosso amado futebol.

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