Em dia de Rapinoe, Estados Unidos avançam à semifinal

Atualizado: Jul 25

Se essa era a final antecipada da Copa eu não sei, mas foi um dia especial para todas que buscam a visibilidade do futebol feminino com mais um estádio lotado, torcedores vibrando do início ao fim e futebol praticado em alto nível. Mais um dia inesquecível da Copa mais incrível do mundo.

O jogo começou com a estranha notícia de que Rapinoe não seria a capitã da equipe americana pela primeira vez na competição. Sem a confirmação do motivo, ficou a dúvida se era um rodízio já esperado ou uma possível tentativa de amenizar as polêmicas com Trump. A resposta ninguém sabe ao certo, o que se sabe é que camisa 15 das norte americanas não sentiu falta da faixa e começou o jogo já colocando seu nome na história da partida. Aos 5 minutos, em falta lateral a craque americana bateu direto, mesmo com todas esperando o cruzamento, e a bola acabou no fundo das redes. Para calar o Parc de Princes o jogo já começava 1 a 0 para a adversárias, e as francesas teriam dificuldades para buscar o resultado.

E foi assim por todo o primeiro tempo. As francesas esbarraram na defesa norte americana muito bem organizada e num certo nervosismo que tomou conta das donas da casa depois do gol sofrido. A primeira boa oportunidade francesa foi apenas aos 32 minutos. Os Estados Unidos por sua vez tiveram algumas boas oportunidades, mas diminuíram o ritmo e buscaram mais o contra ataque nos minutos finais do primeiro tempo.

No inicio da segunda etapa, as norte americanas já começaram com um ritmo alto e quase aumentaram a vantagem nos primeiro minutos. Mewis chutou de fora da área e a goleira francesa espalmou, no rebote Heath finalizou e mais uma vez Bouhaddi estava lá para salvar as francesas. Logo em seguida, dois escanteios levaram mais perigo para a defesa francesa, mas dessa vez conseguiram impedir que as norte americanas finalizassem.

Depois da pressão inicial foi a vez das francesas tomarem a bola e buscarem o gol. Aos 52 minutos, Le Sommer teve mais uma boa oportunidade e cabeceou praticamente sozinha, mas a goleira americana estava lá para impedir que a bola entrasse no gol. Poucos minutos depois, Le Sommer teve mais uma chance de empatar a partida. Desta vez estava livre para chutar, mas mandou para fora. Aos poucos a força defensiva dos Estados Unidos diminuía e as francesas começavam a encontrar espaços para pressionar em busca do empate.

Porém, as americanas não são uma potência a toa e em um contra-ataque incrível, estava lá mais uma vez uma das grandes craques dessa Copa do Mundo: Rapinoe. Morgan passou para Heath que encontrou a camisa 15. Rapinoe se movimentou durante toda a jogada com perfeição, recebeu completamente livre e teve toda a tranquilidade para finalizar, aumentar a vantagem e colocar seu nome entre as artilheiras da competição. Que partida e que Copa do Mundo dessa mulher.

A França precisava de dois gols para conseguir pelo menos a prorrogação, mas em campo as donas da casa pareciam sentir o golpe de deixar o público frustrado com a desclassificação precoce. Aos 78 minutos, mais uma chance de Le Sommer finalizar que não acabou em gol. Nem a craque conseguia resolver as coisas para as anfitriãs.

Mas se a camisa 9 não resolvia tinha uma outra craque que poderia resolver. Na cobrança de falta, Renard subiu mais alto que todas e mandou para dentro do gol americano. A camisa 3 voltava a dar esperança para os franceses que faziam a festa no estádio. Faltavam oiti minutos para o fim do tempo regulamentar e um gol para a prorrogação.

Os minutos finais foram tensos com pedido de pênalti das francesas aos 85 minutos de jogo, de uma bola que realmente bateu na mão da defensora americana, mas o VAR não chamou a juíza acreditando ter sido um lance acidental. Nos acréscimos, as francesas seguiram tentando no desespero, mas a frieza e disciplina norte americana não deixava a pressão acontecer.

Com o apito final, a festa foi americana. Vale ressaltar o incrível trabalho das francesas nessa Copa. Lado a lado com a torcida, elas foram um dos grandes exemplos do que se pode conquistar quando se faz um grande trabalho desde a base. Ainda não veio o título, mas veio a capacidade de jogar de igual para igual contra a tricampeã mundial e grande favorita ao título. Veio a alegria de jogar para estádios lotados e a torcida apoiando segundo a segundo. Não há dúvidas que na próxima Copa elas estarão lá, ainda mais fortes e talvez cheguem ainda mais longe, provando o que se pode colher quando se cria condições para se formar estrelas como essas jogadoras.

Os Estados Unidos chegam de novo à semifinal, e agora vão enfrentar a Inglaterra em busca da grande final de Lyon e Rapinoe segue dando em campo a resposta para todas as polêmicas, mostrando que é a verdadeira dona dessa Copa.

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