Amor à camisa

Atualizado: Jul 25

Há tempos o futebol é visto como um negócio, um meio de ganhar dinheiro e enriquecer a todo custo. O amor à camisa está sendo deixado de lado e se torna cada vez mais raro ver um jogador escolhendo o seu time ao dinheiro. Sem sombra de dúvidas, a mídia se transforma em uma grande influenciadora quando é chegada a hora de tomar a decisão. É ela que diz que “seria loucura” não aceitar uma oferta tão grandiosa, é ela que diz que jogador “precisa ir para o exterior” para ser alguém. Com tanta pressão, os jovens talentos vão embora sem nem ao menos fazerem história no que time que os revelou, sem conquistar um título se quer. Todavia, é claro que o amor à camisa não se aplica apenas a jovens talentos, mas aos veteranos também.

Em um cenário onde o futebol deixou de ser paixão e passou a ser lucro, ainda há resistência e nomes de grandes ídolos que não deixa morrer o amor à bandeira. Jogadores que entre contratos astronômicos e o time do coração, não pensaram duas vezes em escolher vestir apenas um manto em toda carreira.

Quando pensamos nesse assunto se torna impossível não se lembrar de Totti que defendeu a Roma por 25 anos (1992 – 2016). O meia-atacante é respeitado não só na Itália, mas em todo o mundo. A torcida do time italiano sempre mostrou gratidão ao jogador. Foram 786 jogos e 307 gols na conta de Francesco. Ainda na Itália, outro jogador que fez história vestindo apenas uma camisa foi Paolo Maldini. O lateral- esquerdo e zagueiro fez 902 jogos e marcou 33 gols jogando de 1984 a 2008. Paolo teve de se aposentar após sofrer sérias lesões, mas a sua camisa 3 entrou para a história do Milan.

Seguindo no continente europeu, mas agora na Espanha temos Puyol, que fez 682 jogos e 24 gols com a camisa Culé de 1997 a 2014 (jogos e gols de quando jogava no time B do Barcelona estão incluídos). Após se aposentar em 2014, o zagueiro ainda ficou até 2015 no cargo de direitos de futebol do clube.

Histórias como essa parecem tão longe da nossa realidade, não é? Não! Temos monstros dos gramados que fizeram história em times brasileiros também. São Marcos é um dos maiores ídolos do Palmeiras e não é para menos também. O goleiro jogou de 1992 a 2012 (20 anos) e conquistou títulos importantes para a história do clube alviverde. E ainda falando de goleiro, como se esquecer do Mito do Tricolor Paulista? O goleiro artilheiro ganhou esse apelido por ser o goleiro com mais gols na história do futebol (131 no total). Rogério Ceni é um exemplo de amor ao clube, foram 1237 partidas. A camisa 1 do São Paulo nunca foi tão bem vestida. E para finalizar, é necessário falar de um dos maiores ídolos da história do Santos: Pepe. É o vice-artilheiro do time praiano (atrás apenas do Rei Pelé) com 403 gols e disputou 750 jogos de 1954 a 1969.

Em tantos anos jogando com a camisa de um único clube esses jogadores passaram por crises, tiveram propostas melhores e teve a mídia dizendo que já era hora de sair. Entretanto, o amor e a paixão foram maiores que qualquer contrato milionário. Loucos? Malucos? Chame do que você quiser, mas tenho certeza que se perguntar a cada um se valeu a pena, não será preciso pensar muito para responder “sim”. E o por quê de tanta certeza se baseia no fato de estarem eternizados na histórias de seus respectivos clubes. E atualmente sendo cada vez mais difícil histórias como essas se repetirem, ainda é possível acreditar em um amor assim?

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