Estados Unidos x México: rivalidade além do futebol na final da Copa Ouro

Atualizado: Jul 25

Neste domingo os olhos do mundo estarão voltados para a grande final da Copa do Mundo Feminina da França, disputada pelas seleções dos Estados Unidos e da Holanda, assim como para a final da Copa América entre Brasil e Peru. Mas uma outra importante decisão acontece no mesmo dia. Trata-se de um confronto com grande rivalidade e história dentro e fora das quatro linhas: México x Estados Unidos, pela final da Copa Ouro.

As duas principais potências da CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe) voltarão a decidir a Copa Ouro após três edições. As duas seleções chegam invictas à partida que vale o título. Maior campeão com sete títulos, o México chega à final após vencer os três jogos da fase de grupos, passar pela Costa Rica nas quartas de final na disputa de pênaltis e pelo Haiti por 1 a 0 na semifinal. Os Yankees, por sua vez, venceram todos os cinco jogos da competição, batendo a surpresa Curaçao nas quartas e a seleção da Jamaica - vice-campeã em 2017 - na semifinal.

Apesar de ter conquistado mais vezes a competição neste século (5 x 4), os Estados Unidos seguem em desvantagem nos confrontos decisivos diante do rival. No total, são cinco finais entre as duas seleções. Mexicanos e estadunidenses se enfrentaram na final em 1993, 1998, 2007, 2009 e 2011, com quatro títulos mexicanos nos confrontos diretos e apenas um triunfo dos rivais, na final de 2007. Ainda há uma boa vantagem da Tri no retrospecto geral do confronto. A supremacia mexicana foi construída sobretudo entre as década de 1930 e 1980, quando os americanos venceram em apenas uma ocasião, que curiosamente foi no primeiro confronto entre os dois países no futebol, no ano de 1935. Depois disso, os Yankees passariam mais de 50 anos sem vencer os vizinhos.

A distância entre as seleções começou a diminuir de forma mais acentuada e chegou ao cenário de maior equilíbrio que vemos atualmente a partir da Copa do Mundo de 1994, que foi sediada nos Estados Unidos e foi vital para o crescimento do futebol no país. Hoje a MLS (Major League Soccer), principal competição do futebol local, é um campeonato organizado, com boa média de público nos estádios e que atrai não só estrelas do futebol internacional em fim de carreira, como jogadores relevantes de todo o continente americano, sobretudo das américas do Norte e Central, além do Caribe.

Com seis títulos da competição, sendo cinco deles conquistados neste século, a seleção dos Estados Unidos certamente tem o principal talento entre os 22 jogadores que entraram em campo na noite deste domingo. Se trata do atacante Christian Pulisic, que muito jovem se destacou pelo Borussia Dortmund e foi vendido por 64 milhões de Euros – cerca de 284 milhões de reais, aos ingleses do Chelsea. Mesmo com apenas 20 anos, o veloz e habilidoso jogador é a principal esperança dos EUA.

Rivalidade nascida antes da bola rolar

A rivalidade entre mexicanos e estadunidenses vai além do campo e é anterior a 1935, ano da primeira partida entre as seleções dos países vizinhos. Vários territórios mexicanos foram anexados ao país vizinho após a Guerra Mexicano-Americana, ocorrida entre 1846 a 1848. O México se recusou a reconhecer a independência da província do Texas, que havia sido anexado pelos Estados Unidos em 1845 o que levou ao início de tensões que eclodiram na guerra no ano seguinte. O conflito foi um desastre para o México, com os americanos tomando controle do Novo México e da Califórnia e invadindo temporariamente algumas províncias do norte mexicano. Em setembro de 1847, tropas americanas tomaram a capital mexicana no que foi um marco da vitória bélica.

A guerra foi vencida pelos Estados Unidos, com o estabelecimento do Tratado de Guadalupe Hidalgo. Como resultado, o México foi forçado a vender seu território setentrional - incluindo os atuais estados americanos da Califórnia e Novo México - aos Estados Unidos no que ficou conhecido como Cessão Mexicana. O México também abriu mão de sua reivindicação pelo Texas e, por fim, os mexicanos residentes nos territórios anexados tornaram-se cidadãos estadunidenses. As regiões conquistadas por meio da guerra, somadas às anexadas após os acordos pós-guerra, compreendem inteiramente os atuais estados da Califórnia, Nevada, Novo México, Texas e Utah, além de áreas que compõem parte dos estados Arizona, Colorado e Wyoming.

Nos Séculos XX e XXI, Estados Unidos e México assinaram e fizeram parte conjuntamente de vários tratados, sobretudo comerciais. A aproximação dos dois países se intensificou após estarem do mesmo lado na Segunda Guerra Mundial. Atualmente, os Estados Unidos são os principais parceiros comerciais dos mexicanos, enquanto o México é o quarto maior parceiro comercial dos norte-americanos. Apesar de milhões de cidadãos americanos serem descendentes de mexicanos e tantos outros mexicanos serem imigrantes legais e ilegais nos estados unidos, ainda existe tensões sociais, culturais e raciais entre mexicanos e estadunidenses. Esses problemas ficaram ainda mais visíveis durante a última campanha presidencial e no mandato de Donald Trump. O presidente Trump por diversas vezes atacou imigrantes e teve como uma das suas grandes promessas de campanha a construção de um muro para impedir a entrada de imigrantes mexicanos no seu país.

Ficha técnica da final:

Estados Unidos x México

Hora: 22h

Data: 07/07/2019

Local: Soldier Field (Chicago, EUA)

Provável México: Ochoa, Diego Reyes, Moreno, Salcedo, Gallardo, Alvarez, Guardado, Giovanni Dos Santos, Pizarro, Alvarado e Raúl Jiménez.

Provável EUA: Steffen, Long, Ream, Cannon, Miazga, Bradley, Mckennie, Arriola, Morris, Pulisic e Altidore

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