Pia Sundhage: um nome que veio para somar

Atualizado: Mai 10

Há pouco mais de um mês, Marta, Cristiane, Formiga e cia entraram em campo para tentar vencer a França nas oitavas de final, e por pouco não conseguiram tal feito. Não fosse alguns detalhes, a raça das nossas atletas teriam dado conta de vencer o favoritismo adversário e teríamos mais história para contar sobre o Brasil na Copa do Mundo mais bonita que já existiu. Porém, faltou perna e essas pernas não deram conta porque não teve no caminho até a França cuidado, respeito e incentivo o suficiente para que as condições dessem conta do recado.

Depois da derrota ouvimos Marta pedir para as meninas acreditarem no sonho e chorarem no começo para sorrir no final. Vimos a Cristiane pedir no aeroporto que se olhasse para base e se investisse o suficiente para que no futuro possamos chegar mais longe. Vimos a campeã do mundo, Morgan dizer que o Brasil teria condições de chegar a final se não fosse a falta de incentivo, porque talento, não faltava e a grande craque da Copa, Rapinoe pedir que todos fossemos melhores e maiores do que nunca fomos para mudarmos o que podíamos nessa sociedade ainda tão desigual e machista.

Nossa seleção chegou no Brasil, e se passaram muitos dias até que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se importasse o suficiente para ir atrás do que seria a nova comissão técnica das nossas jogadoras. Depois de quase um mês, soubemos da primeira notícia: Vadão não seria mais o técnico. Depois do péssimo trabalho na preparação da Copa e com escolhas questionáveis no decorrer do mundial, além do claro descontentamento por parte das jogadoras, era o mínimo que poderíamos esperar ter a certeza de que Vadão não continuaria no cargo. Mas a melhor notícia veio quando a CBF, com tanta demora, confirmou o nome de Pia Sundhage no comando técnico da seleção.

Que notícia! A seleção brasileira de futebol feminino terá no seu comando a bicampeã olímpica, vice-campeã mundial e melhor técnica do mundo em 2012. Pia é famosa pelos seus trabalhos sólidos e muito vitoriosos à grande prazo. Passou cinco anos à frente dos Estados Unidos e outros cinco comandando a Suécia. Teremos no nosso banco uma mulher que vive o futebol feminino o suficiente para das condições as nossas atletas, diferente da atual comissão que parecia mais atrapalhar do que ajudar.

Além da carreira vitoriosa como técnica, Pia foi uma das maiores jogadoras da Suécia, jogando 146 partidas e marcando um total de 71 gols. Para se ter uma ideia do tamanho da importância de Pia para a modalidade, ela começou a jogar quando o futebol ainda era proibido para mulheres. Aos sete anos chegou a fingir ser um menino para poder entrar em campo. Isso sim é uma comandante que entende a dimensão do futebol feminino.

Falta um ano para as Olimpíadas, e fica a torcida para até lá Pia receba da CBF as condições necessárias para exercer um trabalho a altura de nossas mulheres. Para a próxima Copa faltam quatro anos, e não sabemos se Pia ainda estará a frente da nossa Seleção. Mas sabemos que para chegarmos fortes precisaremos não só de uma grande técnica, mas de um trabalho de verdade com as seleções de base, maior organização e respeito nos campeonatos nacionais e um incentivo grande dos clubes e da mídia. É inegável que em termos de material humano temos alguns dos maiores talentos do esporte a nossa disposição resta saber se os próximos quatro anos darão condições para que esses talentos brilhem o tanto quanto podem.

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