Pai, paixão e futebol

Atualizado: 25 de Jul de 2020

Entre tantas coisas boas que meu pai me ensinou, a paixão pelo futebol é a que mais nos conecta. Ele vai dizer que não, que nem gosta tanto assim e que tem acompanhado cada vez menos o esporte. Mas isso não muda o fato de que vive me mostrando lances bizarros que viu por aí, comentando resultados, cornetando treinadores e que costuma deixar a TV passando algum jogo, mesmo sabendo que vai dormir durante a transmissão. Isso nos leva a algo que virou hábito: é sempre no assunto futebol que termina nossas conversas no telefone.

O dia dos pais do ano passado, foi o primeiro que passei longe do meu - ele em São João del Rei, eu em Juiz de Fora, e a saudade não cabendo no peito. A ligação para desejar feliz dia dos pais não durou muito: o tempo de perguntar como vão as coisas, parabenizar, agradecer e, claro, falar de futebol.

“Você viu o que o Tupi arrumou, pai?”. O assunto começa na Série C, lamentando o rebaixamento do time juiz-forano. Ele não tinha visto e só precisei deixar o resultado do último jogo para ele começar a cornetar: Ypiranga 5 a 1 Tupi. Ele é meu corneteiro favorito, mas acho que não sabe disso.

A gente tem a sorte de dividir o amor pelo mesmo time e é ele quem sempre me acompanhou nas comemorações de vitórias e títulos, que não foram poucos. Estar longe dele quando levantamos nossas duas últimas taças doeu mais do que não estar por perto no dia dos pais.

A primeira vez que chorei por causa de futebol, foi ele quem me abraçou - no consolo disse “é só futebol” mesmo sabendo que era muito mais do que isso. Depois vieram outras derrotas, e outros choros, e fui me acostumando com a vida de torcedora.

Quando fui cobrir futebol pela primeira vez - campeonato amador em São João del Rei - ele me ajudou a descobrir onde era o estádio e me deixou na porta. Preocupado, pensou em ficar na arquibancada me observando, mas soube que era hora de me deixar sozinha e ficar em casa esperando para ouvir os causos do futebol amador.

Ver jogo com meu pai - seja a competição que for (e olha que ele gosta bastante de torneios alternativos) - é sempre uma honra. Me lembra de quando eu comecei a acompanhar o esporte, não entendia nada do que estava acontecendo em campo e perguntava tudo para ele, que respondia com uma paciência invejável. Hoje normalmente é ele quem faz as perguntas e eu fico muito feliz quando consigo responder.

Eu queria ter tido ele do meu lado na primeira vez que pisei no Mineirão. Em meio às lágrimas e risos típicos de quem está conhecendo a “casa” de perto, olhei para o lado e vi uma garotinha nos ombros do pai. “Podia ter sido a gente”, pensei na hora. “Ah, pai, eu ainda te pego pela mão e te levo para conhecer nosso estádio”, penso toda semana.

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