As raízes da paixão da mulher pelo futebol

Atualizado: Jun 10

E aí, quem foi que influenciou você a gostar de futebol? Quem foi a pessoa que fez você escolher seu time? Essas foram as pulgas atrás da orelha que fizeram Soraya Barreto Januário escrever o livro Mulheres no campo: o ethos da torcedora pernambucana.


Soraya é pernambucana e vive o futebol intensamente. Ela diz que, como torcedora, ainda se sente pouco contemplada pelas políticas internas de seu clube e queria saber o motivo de as mulheres serem tão pouco representadas dentro deles, mesmo tendo um público muito relevante.


Ela sabia como tinha se apaixonado pelo esporte. Mas e as outras mulheres? Foi a necessidade de entender como elas chegaram ao estádio, quais foram as motivações e as pessoas que as levaram lá que a incentivou a escrever o livro. No total, 500 mulheres foram entrevistadas, todas elas do estado de Pernambuco. Trezentas foram entrevistadas dentro dos campos pernambucanos, imersas na atmosfera do jogo, ali cara a cara, com os olhos gritando mais que a voz que realmente era o futebol que as encantavam.


As outras 200 foram entrevistadas por um questionário online. Soraya conta que teve muito apoio de movimentos de torcidas femininas do estado, como Coralinas, Timbuzeiras e Elas Esporte, que se envolveram e as participantes responderam as perguntas.


Os resultados mostraram que o jogo está mudando

De acordo com Soraya, os resultados foram muito reveladores. Apesar do pai e do avô serem os principais responsáveis pela mulher se interessar por futebol (51%), o número de mães e avós que participaram do nascimento dessa paixão foi significativo (22%).


Este número é grande se formos parar para pensar que somente a partir de 1979 as mulheres foram permitidas por lei a praticar futebol. Se hoje temos muitas mulheres nos estádios, é porque as torcedoras das décadas de 70 e 80 lutaram para que todas estivessem lá.


Outro resultado interessante que o livro mostra é que 33,5% das meninas escolheram o time que torcem a partir dos resultados nas competições. Ou seja, o público feminino está começando a ter uma certa independência na escolha do seu representante na paixão pelo futebol.


Os números também mostraram que as mulheres estão tomando iniciativa quando o assunto é ir ao estádio: 35% das entrevistadas afirmaram que são elas que convidam amigos e familiares para irem às arquibancadas assistir aos jogos.

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