Jogos Emblemáticos: contrariando a lógica, o Santos protagonizou a virada histórica

Atualizado: Jul 25

De cabelos cor de fogo e olhar matador, Don Giovanni comandou uma das mais extraordinárias viradas do Campeonato Brasileiro

Quando o jogo acabou no Maracanã naquela quinta-feira parecia impossível acreditar numa possível virada. O Fluminense havia batido o Santos por 4 a 1 na semifinal do Campeonato Brasileiro. Um jogo no qual as coisas começaram boas para o lado alvinegro ao abrir o placar, mas aquele dia não era para ser pintado de branco e preto. O Fluminense logo virou e abriu uma vantagem ainda maior até o apito final contando com a vantagem numérica após o Santos ter dois jogadores expulsos.

A equipe santista carregava para o jogo de volta uma dura missão: além de precisar vencer por três gols de diferença, três dos seus principais jogadores não estariam presentes: Vágner (terceiro cartão amarelo), Robert e Jamelli (ambos expulsos). O conforto santista estava diante da soma dos placares e da pontuação geral que favoreciam o time paulista. Todavia, apesar do resultado desastroso, os jogadores santistas não pareciam abalados e com uma atitude profética, o camisa 10 santista, Giovanni disse que iriam vencer e ele marcaria dois gols! (Depois desses dizeres e da atuação no dia 10 de dezembro ele viria a ser chamado de Messias).

No dia 10 de dezembro, três dias depois do desastre no Maracanã, o Santos buscava pelo impossível num Pacaembu lotado que cantava sem parar, que empurrava e acreditava que aquele time protagonizaria o impensável. O jogo ainda não havia começado, mas a esperança da torcida santista fez a noite virar alvinegra. Na entrada dos times em campo um clima diferente pairava no ar, Edinho (filho de Pelé) no gol e Giovanni com cabelos vermelhos e um olhar sério como que quem já dizia para tomarem cuidado com ele. O time vestido todo de branco estava extremamente ofensivo e mais do que disposto a buscar a virada. Por que não trazer à tona o espirito do Santos dos anos 60? Por que não fazer chover gols? Será que era coisa de outro mundo mesmo? Bom, sendo ou não, o Santos de 95 estava disposto a contrariar a lógica (típico).

Primeiro tempo

O jogo começou e o Santos não deixou o Fluminense respirar, aos 25 minutos Camanducaia foi derrubado na área. Pênalti! Giovanni partiu, bateu no cantinho e não correu para o abraço, correu para o fundo das redes, sério e pegou a bola. Ainda faltava muito. Três minutos depois, Carlinhos tocou para Giovanni que pegou a bola, driblou fantasticamente Alê (que teve pesadelos com Don Giovanni certamente) e chutou com força no alto e com precisão. 2 a 0 Santos! Giovanni mais uma vez correu para pegar a bola e recomeçar o jogo. O Santos martelava, atacava e chutava, mas a bola insistia em não entrar.

Com o apito no final do primeiro tempo, a equipe tricolor foi para o vestiário agradecendo aos céus pelo placar não estar maior para o time da casa. Enquanto isso, o Santos fez seus torcedores inflarem ainda mais ao não descerem para o vestiário e, em campo, se recompor para a segunda etapa. Foi uma cena fantástica, a torcida gritou e cantou ainda mais.

Segundo tempo

Sem perder o ritmo do tempo inicial, o Santos começou o tempo complementar em cima do Fluminense e de cara, aos 5 minutos, Giovanni recebeu na meia-lua e com um toque preciso achou Macedo. O camisa 7 fez o torcedor soltar o grito de gol pela terceira vez na noite e a vantagem tricolor caiu ao chão. Todavia, o Fluminense não se deu por vencido e dois minutos depois marcou o primeiro gol no rebote de Rogerinho da falta cobrada na área alvinegra. 3 a 1. E a vantagem mudou de lado mais uma vez. A equipe da Vila não sentiu o peso do gol e nem deveria, já que tinha ao seu lado Giovanni. Aos 16 minutos em bola lançada, Alê deveria ter dominado e tirado dali de qualquer jeito, mas Giovanni o surpreendeu, roubou a bola, invadiu a área e chutou, Wellerson defendeu, mas no rebote Camanducaia marcou o quarto. O placar do Maracanã se repetia e dessa vez para o lado alvinegro. Com a expulsão de Ronaldo, o Fluminense estava esperançoso com a reação, mas Don Giovanni estava endiabrado naquela noite. Aos 37 minutos, havia três tricolores na marcação do camisa 10 e mostrando o espirito incorporado de Pelé, deu um toque magistral de calcanhar na passagem de Marcelo Passos que correu, cortou para o lado direito e colocou o 5 a 1 no placar. Que jogo! Que goleada! Que noite do time santista! Aos 39, Rogerinho até marcou o segundo dos visitantes, mas era tarde. O Pacaembu não se aguentava de alegria, de emoção. Ninguém conseguia explicar o que havia acontecido naquela noite. Depois de 12 longos anos, o Santos voltava a decisão do Campeonato Brasileiro. Seria campeão? Do que importava isso naquele momento? Naquele momento a única coisa que realmente merecia ênfase era a partida histórica no palco Pacaembu. Era preciso falar disso, saudar aquele momento. Ademais, era preciso enaltecer o jogador de cabelos vermelhos, da cor do fogo, o Messias que disse “vou marcar dois gols” e assim fez.

Com toda certeza, o dia 10 de dezembro de 1995 foi um dos mais memoráveis da história do Santos. Por caprichos de um apito o título daquele ano não veio, mas a garra, a superação, a crença e a virada histórica daquele time de 95 mostraram ao planeta bola que para ficar na história não é necessário ser campeão, mas sim encantar. E se vem do esquadrão branco santista... Encanto é o que não falta!

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