2019: o ano do futebol feminino

Atualizado: há 5 dias

Mais um dia histórico para o futebol feminino, e que dia! Desde junho tem sido emocionante acompanhar o crescimento da visibilidade do futebol feminino pelo mundo. A Copa que foi realizada na França, será lembrada para sempre como a competição que abriu os olhos para o fãs do esporte entenderam que futebol feminino nada mais é do que futebol. Futebol de qualidade, técnica, velocidade e emoção e hoje tivemos mais uma prova de que o mundo está finalmente vendo isso.

Primeiro, foi emocionante ver 11 mulheres no palco da maior premiação do mundo da bola. E essas onze mulheres não estavam lá por nenhum outro motivo que não seja o futebol que elas jogaram na última temporada. Sari van Veendaal; Lucy Bronze, Nilla Fischer, Kelly O’Hara e Wendie Renard; Julie Ertz, Amandine Henry e Rose Lavelle; Alex Morgan, Megan Rapinoe e Marta.

Pra fechar com chave de ouro o grande dia, Megan Rapinoe foi escolhida como melhor jogadora do mundo. Escolha mais do que justa para a melhor jogadora da Copa do Mundo, e mais uma vez ela nos mostrou que não é só com os pés que pode fazer revolução.

Em mais um discurso histórico, a norte-americana recebeu o prêmio e logo de início, destacou o ano incrível para o futebol feminino, e aqueles que ainda não tinham notado isso, tudo bem, ela iria perdoar. Sim Rapinoe, que ano incrível para o futebol feminino.

Megan falou mais uma vez de todas as lutas diárias, não só das mulheres dentro do futebol, e afirmou que por meio desse esporte podemos promover mudanças gigantes na sociedade no que diz respeito a igualdade de gênero, ao racismo, a homofobia e pediu mais uma vez que todos ajudassem da forma como fosse possível.

Rapinoe é sem dúvida umas das figuras mais importantes e emblemáticas do ano de 2019. Em tempos de intolerância e ódio, ela pediu mais um vez para que olhássemos com amor para todas essa questões e tomássemos atitudes para mudar em cada pequena esfera da sociedade. Cutucou ao dizer que se todos levantassem, por exemplo, a bandeira em prol da igualdade de salários, isso faria a diferença. Detalhe importante: mais da metade daquela premiação era formada por homens que ganham muito mais do que as mulheres, mesmo que estas tenham hoje o mesmo sucesso que eles.

Apenas um trecho do que disse Megan em seu discurso:

"Se todo mundo se posicionasse contra o racismo como todas essas pessoas se posicionaram, se todos se posicionassem contra a homofobia como as jogadoras LGBT fazem para jogar futebol. Se realmente queremos mudanças, precisamos de todo mundo se posicionando contra o racismo, contra a homofobia, pela igualdade de pagamentos. Temos grandes oportunidades, temos grande sucesso, uma grande plataforma. Temos a oportunidade de usar esse jogo lindo para realmente mudar esse mundo para melhor. Temos um poder incrível nesta sala".

Mais uma vez, a atacante nos deixou absolutamente sem palavras e com uma vontade grande de lutar junto dela em busca de tantas mudanças necessárias e urgentes.

Hoje, foi emocionante ver tantas mulheres no palco pisando e brilhando aonde antes não seriam bem-vindas, pelo menos não no papel de atletas. Rapinoe, assim como a Marta e todas as outras, são o exemplo vivo do que porquê lutamos todos os dias como mulheres para ocupar cada espaço na nossa sociedade.

Seja pra jogar bola ou para trabalhar em áreas onde não nos esperavam. Seja para ser mãe ou para não ser - se não quiser. Seja para viver a vida que escolhemos e não a vida que querem nos escolher. O futebol feminino está passo a passo construindo seu espaço com o suor, e a garra de mulheres que não aceitaram que seus sonhos não pudessem acontecer por simples e puro machismo. E nós temos não só que aplaudir esse discurso e essas conquistas, mas temos que, principalmente, agarrar essa luta, tornar nossa e fazer com que todo dia seja um dia de vitória para as mulheres, não só no futebol, mas em tudo que diz respeito a nossa liberdade de sermos quem quisermos ser.

Por fim, mas um obrigada para Rapinoe e essas mulheres maravilhosas que estão tornando esse ano um ano feminino no que diz respeito ao futebol. Seguimos lutando e jogando como garotas.

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do Futebol Por Elas

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