Ser jornalista esportiva: uma realização, um sonho

Atualizado: Jul 25

Um dos meus maiores receios desde quando comecei trabalhar com o futebol era perder o encanto com o esporte. Uma das minhas primeiras experiências na sala de imprensa no Beira-Rio (estádio do Internacional), um colega perguntou se eu era jornalista, respondi que era estudante e queria seguir o ramo esportivo e ele prontamente respondeu: “Larga essa profissão por enquanto que tem tempo. Quando o futebol virá uma obrigação, ele fica chato. Quando todos estiverem indo para um parque no domingo de sol, tu estará dentro de uma redação, ou de um estádio de futebol, e tuas folgas serão nas segundas". Somente ri, e hoje concordo com ele por partes. Domingo? O que é isso? Folgas também não sei o que é, da onde vem isso?

Minha história no jornalismo esportivo é parecida ou igual à de várias meninas que trabalham na área. Minha família inteira é colorada, sempre digo, tudo começou muito cedo. Tinha apenas seis meses de idade quando meus pais me levaram para um jogo no Beira-Rio, de carrinho e minha irmã de três anos junto. Ali começou uma paixão alucinada, como não né?

Fui uma criança, adolescente conhecida nos lugares como "a fanática”. Discutia futebol com homens, mulheres, com meus colegas, ficava braba e trocava tudo pelo jogo do Inter. Meu pai, João Albuquerque, alimentou essa minha paixão também. Era a companheira dele nos futebol da vida. Ele ia jogar com os amigos, eu ia junto, ficava batendo bola com os filhos dos colegas dele. Tem muitas histórias que hoje me emocionam. Mas a certeza é que ele lapidou essa paixão que hoje eu sinto e felizmente pelo jornalismo, vivo.

Atualmente, tenho um programa esportivo na Rádio Real na cidade que resido. E há umas semanas recebi os meus primeiros ídolos no futebol, os jogadores de futebol Diogo e Diego Barcelos - eles foram destaques no Internacional em 2004, e era muito fã deles. Naquela época não existia a expressão “stalkers”, mas eu era quase isso. Onde eles iam, eu com os meus 14 anos de idade, ia também. E graças ao jornalismo eu realizei um sonho de entrevistá-los – não pensei que seria no meu próprio programa esportivo.

O jornalismo é um sonho, uma realização. Saber que as pessoas vão te ver falando sobre o que tu mais ama, vão ler a tua opinião, é gratificante.

Aquela menina de 15 anos sonhou com isso. E hoje, essa mulher de 28 anos realiza aos poucos.

Não é fácil. Hoje, eu trabalho num jornal que tem o foco político, e na rádio na área esportiva. No momento não é possível por questões financeiras seguir só com o futebol, o que é a minha vontade maior. Faço duas faculdades momentaneamente, escrevo para o FPE e tenho uma coluna esportiva em outro site.

Diversas vezes somos julgados pelo nosso crachá pelos próprios colegas de profissão, em treinos, jogos fingem que nós não existimos, existe uma panelinha no jornalismo esportivo. Isso não me atinge, às vezes incomoda, mas aos poucos vamos tomando conta do meu próprio espaço.

Os preconceitos encontrados no meio do caminho, junto e boto na bagagem, eles nos fortalecem, fazem eu me sentir mais corajosa ainda. E tem tanta coisa emocionante, vibrante que faz a gente esquecer essas coisas.

Vivo os bastidores da minha paixão, sei as dificuldades, sei que o mundo não é ético que atualmente é o nosso futebol. Mas, felizmente confesso que ele me emociona me dá vários momentos de satisfação e alegria.

Estou no começo de uma carreira. Não me incomodo com os dias de correria, de Inter, de Grêmio, de Gauchão Feminino, de futebol nacional. Eu não ligo para o domingo em volta de um gramado, eu sonhei com isso, eu quero isso para resto da minha vida. Uma dica para quem sonha com essa profissão: não ligue para os conselhos.

Vão te dizer que jornalista ganha pouco, que tu vai trabalhar todos os dias, e se for no futebol, CERTEZA que vão falar que tu vai te decepcionar. Mas é GRATIFICANTE e para finalizar digo: não pagamos ingresso nos jogos, e olhamos nos melhores lugares no estádio.

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