Copa do Brasil: título inédito e fim de jejum do Fluminense em 2007

Atualizado: Jan 1

A 19ª edição da Copa do Brasil contou com a participação de 64 times, sendo 54 equipes classificadas pelos campeonatos estaduais e outras 10 pelo ranking da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Disputada ‎entre os dias 14 de fevereiro e 6 de junho de 2007, a competição contou com 327 gols em 115 partidas e teve como vencedor o Fluminense.

Com dois vices-campeonatos do torneio, em 1992 e 2005, além de um longo jejum de 23 anos sem títulos nacionais, o Flu estava disposto a não decepcionar a torcida tricolor e conquistar pela primeira vez a Copa do Brasil. Entrar no túnel do tempo foi uma das formas do torcedor driblar a ansiedade e apostar no sucesso da equipe. Como era bom relembrar a chamada Máquina Tricolor, equipe que encantou o futebol brasileiro entre os anos de 1970 e 1986 e que, comandada pelo craque Rivellino, mostrou ao mundo o nosso futebol arte.

Mas os craques e o cenário da estreia não eram os mesmos daquele tempo. A equipe comandada pelo técnico Renato Gaúcho, atualmente no Grêmio, ainda contava com marcas do retrospecto negativo do início do ano. O Fluminense não tinha se classificado para as semifinais do Campeonato Carioca e, sob fortes críticas, já era tachado a ter o mesmo futuro na Copa do Brasil.

Enfim, o início do campeonato. O Flu não teve uma caminhada simples e precisou passar por adversários que buscavam destaque no cenário nacional ou que já eram consolidados no mesmo. A equipe enfrentou a Adesg-AC (1ª fase), América-RN (2ª fase), Bahia (oitavas de final), Athletico Paranaense (quartas de final), Brasiliense (semifinal) e, por fim, o Figueirense. A trajetória do título inédito contou com seis vitórias, cinco empates e apenas uma derrota.

A verdade é que de desacreditado, o Fluminense se transformou no time a ser batido na competição. A evolução da equipe era visível durante o torneio e os cariocas ainda usavam o Campeonato Brasileiro, disputado simultaneamente, para acertar os erros das partidas anteriores. Foi desta forma que chegou a final contra o Figueirense.

Na quarta-feira do dia 30 de maio, às 21h45, começava a primeira partida da final entre Fluminense e Figueirense. Com 64.669 torcedores presentes no Maracanã e o tradicional pó de arroz nas arquibancadas, a emoção ficou para os últimos minutos do jogo. A equipe alvinegra saiu na frente com o volante Henrique, atualmente no Cruzeiro, mas o tricolor não permitiu que a comemoração durasse muito tempo e empatou o jogo com Adriano Magrão. Com esse resultado, a pressão ficou toda do lado tricolor, já que o placar de 1 a 1 obrigava o Fluminense a vencer ou empatar por mais de um gol para ficar com o caneco.

No dia 6 de junho, uma semana depois do primeiro confronto, as equipes voltaram a se enfrentar, desta vez no reduto alvinegro: o Estádio Orlando Scarpelli. A partida mais parecia um videotape do jogo de ida. O Fluminense se destacava na marcação e o Figueira dava espaços de sobra para o adversário.

A desatenção virou gol logo aos três minutos de jogo. O lateral Roger Machado, recebeu assistência do atacante Adriano Magrão, que matou a bola no peito e emendou para o gol sem dar chances para o goleiro Wilson, atualmente no Coritiba. Silêncio profundo na casa alvinegra. Barulho estrondoso da torcida tricolor presente no local.

Atrás do placar e com o nervosismo à flor da pele, o Furacão do Estreito tentou de todas as formas reverter o resultado, mas sem sucesso. Venceu o Fluminense, o Flu, o Fluzão ou o Nense. Como quiser. Só não queira dizer que esse Time de Guerreiros não mereceu a vitória. Venceu o Fluminense com o verde da esperança e a certeza de quem espera sempre alcança.

No dia seguinte (7), foi só alegria. O Fluzão desembarcava no Rio de Janeiro e seguia em direção a antiga Rua da Guanabara (atual Rua Pinheiro Machado). O destino era o Estádio das Laranjeiras (Estádio Manoel Schwartz) que em maio deste ano completou 100 anos de existência. Duvido que alguém tenha dormido, mas entendo que não era hora de despertar daquele momento tão especial que mais parecia um sonho.

Ao chegar no destino, jogadores, comissão e diretoria foram aplaudidos e não há quem não se deixou contagiar pela euforia do torcedor presente, mas presente mesmo era poder soltar aquele grito que há tanto tempo esteve preso na garganta. Salve o querido pavilhão das três cores que traduzem tradição que naquele ano quebrou um jejum e levantou o título inédito.


Ficha técnica:

Figueirense Wilson; Felipe Santana, Chicão e Vinícius (Edson); Ânderson Luiz (Fernandes), Henrique, Ruy, Claiton Xavier, Diogo (Ramon) e André Santos; Victor Simões. Técnico: Mário Sérgio

Fluminense Fernando Henrique; Carlinhos, Thiago Silva, Roger e Junior Cesar; Fabinho, Arouca, Cícero e Carlos Alberto (Thiago Neves); Alex Dias e Adriano Magrão (David). Técnico: Renato Gaúcho

Receba as novidades

do Futebol Por Elas

  • Facebook - Black Circle
  • Twitter - Black Circle
  • YouTube - Black Circle
  • Instagram - Black Circle