Jackson, o pedreiro que virou artilheiro

Atualizado: 25 de Jul de 2020

Há dois anos, trabalhando de sol a sol, Jackson não imaginaria que realizaria o sonho de jogar no futebol profissional. Na época, aos 23 anos, o atacante do Ypiranga, do Rio Grande do Sul, conciliava as atividades de pedreiro com os jogos no futebol amador. “Foi um momento complicado, minha esposa estava grávida e eu estava trabalhando de pedreiro, tínhamos uma vida fora do futebol. Eu jogava na várzea e trabalhava”, relatou.

Foi no Sete de Setembro que Jackson deu os primeiros chutes como jogador profissional. “Quando recebi a proposta, conversei com minha esposa. Era um risco, um ‘tiro no escuro’. Talvez daria certo, talvez não”, destaca o jogador.

A decisão de arriscar o seu futuro nas quatro linhas deu certo e hoje Jackson vive o melhor momento de sua carreira. O jogador foi o artilheiro do Ypiranga de Erechim na Divisão de Acesso deste ano com 12 gols marcados em 16 partidas. O atacante também se destacou no confronto do time erechinense diante do São Borja – onde marcou quatro gols.

Mas até chegar à Capital da Amizade, o atleta teve uma trajetória de muita luta. O primeiro desafio foi sair de Alagoas e ficar longe da família. “Foi muito difícil, nunca havia saído de lá e em alguns momentos pensei em desistir.”

A busca pelo primeiro título

Mesmo sem ter passado por categorias de base, o futebol do atacante chamou a atenção. No ano passado, Jackson defendeu o Inter de Santa Maria. Na passagem pelo Alvirrubro, marcou seis gols em 14 jogos. A fama de artilheiro chamou a atenção do gerente de futebol do Ypiranga, Renan Mobarack, e em agosto Jackson foi anunciado como reforço do Canarinho para a Copa Wianey Carlet.

Buscando retornar à elite do futebol gaúcho, o Ypiranga via na competição uma possibilidade de garantir o acesso. Mas a bola acabou batendo na trave na semifinal, quando o Canarinho venceu o Gaúcho por 2 a 1, mas acabou sendo eliminado no saldo de gols.

O sonho de jogar no Maraca

A persistência trouxe a realização de dois sonhos: jogar no maior templo do futebol e contra o ídolo, Paulo Henrique Ganso.

O jogo entre Fluminense e Ypiranga aconteceu no Maracanã em partida válida pela Copa do Brasil. Em entrevista após a partida, Jackson comentou sobre o momento que viveu. “Vi o Ganso jogar no Santos e na seleção brasileira e largava tudo para assistir. Vim para o futebol em 2017, tenho só dois anos de profissional. Foi um sonho que sempre tive de jogar no Maracanã.”

Um novo recomeço

A temporada 2019 não começou da forma que o torcedor queria. O Ypiranga demorou para engrenar e se viu ameaçado pelo Z2 da Divisão de Acesso. A mudança começou no comando técnico, depois da saída de Círio Quadros. O Canarinho apostou em Fabiano Daitx. Aos poucos, o time começou a se encaixar e a subir na tabela. Foram 12 jogos até a conquista do título na Divisão de Acesso

Foto: Kaliandra Alves Dias/Jornal Bom Dia

O Ypiranga precisava vencer o jogo de volta, já que havia ganho a primeira partida por 2 a 1 de virada, e, sem o gol qualificado, um empate levaria a decisão para as penalidades. Com o jogo sendo realizado em Bento Gonçalves, o Esportivo saiu na frente com Gullithi. E mesmo com a pressão imposta pelos donos da casa, Jackson teve a tranquilidade de marcar o gol de empate. “Foi um momento muito importante. Sabíamos da dificuldade do jogo e assim como marquei na semifinal, tive a oportunidade de voltar a balançar as redes”. O gol do título foi marcado por Diego Quirino.

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