Estádio: o lar dos torcedores

Atualizado: Jul 25

Como falar de torcida sem falar de estádio? As arquibancadas têm ficado cada vez mais cheias, a luta para conseguir um ingresso é cada vez mais difícil e as histórias por trás de quem quer estar ao lado do seu time só vão aumentando.

O ano de 2019 veio, de fato, para marcar história quando o assunto é o público nos estádios. Atualmente, a média de bilheteria do Campeonato Brasileiro é de 21.200 pessoas, sendo que o campeonato ainda está na 28ª rodada e vai até a 38ª. Até o momento, o público total em 2019 foi de 5.529.685 pessoas e cada partida tem em média uma renda bruta de mais de R$ 757.000,00.

O recorde de público é de 1983, 36 anos atrás, com 22.953 pessoas, quando o Flamengo foi campeão. Para você ter uma noção, o Campeonato Brasileiro ainda não era na modalidade de pontos corridos, que passou a ser adotada somente em 2003.

O que pode ter movimentado esse enorme número de torcedores é uma série de fatores. O primeiro é que o time com maior torcida do país, Flamengo, atualmente lidera a tabela com uma vantagem de sete pontos para o segundo colocado. Consequentemente, dos 10 maiores públicos do Brasileirão 2019, 10 são de jogos do rubro-negro carioca. O jogo com maior público foi o contra o Santos com 68.243 pessoas.

Além disso, o número de sócios-torcedores do Flamengo não para de aumentar. No programa, os participantes têm vantagens para a aquisição de ingressos, como valores mais em conta e compra antecipada.

No dia 9 de setembro, o Flamengo tinha 123 mil sócios. Atualmente estão inscritos no programa quase 150 mil flamenguistas. A renda arrecadada pelo programa está chegando próximo a R$ 6 milhões por mês.

Outra questão que está ajudando a quase alcançar o número histórico de 1983 são os clubes que subiram da Série B para a Série A. Eles também estão movimentando a venda de ingressos, graças à empolgação de seus torcedores por estarem jogando na elite do futebol nacional.

Graças a esse sucesso, a Confederação Brasileira de Futebol, CBF, começou no dia 14 de setembro um sorteio de carros em dois jogos pré-determinados de cada rodada. No total serão sorteados 40 veículos até o final do campeonato. Já que nas arquibancadas houve toda essa movimentação, o Mulheres em Campo decidiu tentar descobrir o que está por trás de cada um dos corações que sempre estão ali empurrando o seu time.

Para tudo na vida existe uma primeira vez, inclusive nos estádios. Para Claudio Viana, de 54 anos, técnico em telecomunicações, isso foi há uns bons anos, mas ainda acelera o seu coração. Como ele conta: “A primeira vez que fui a um estádio foi ao Maracanã com meu pai em 1977. Fomos assistir Flamengo e Cruzeiro. Flamengo ganhou de 3 a 1. Lembro até hoje da torcida comemorando”.

Existem também as lembranças da geração mais nova, mas a emoção parece a mesma. Para Mariana Cicilioti, de 27 anos, jornalista: “Não foi o primeiro estádio, mas foi a mais emocionante, a minha primeira vez no Maracanã. Estar lá e poder ver o Flamengo em casa foi maravilhoso. A energia da torcida que faz tremer o Maraca é surreal.”

E aquelas loucuras que o torcedor faz pra conseguir o ingresso para o jogo? Algumas vezes a gente até se surpreende com o sentimento de união que o amor pelo clube é capaz de construir, como lembra Cláudia Ferreira, 26 anos, veterinária. Cláudia estava na fila para comprar os ingressos, quando reparou que não tinha dinheiro suficiente para comprar a entrada: “Eu já estava indo embora quando um senhor falou que eu não precisava me preocupar, que [...] ele iria completar para que eu pudesse ir ao jogo. Um completo estranho [...] não pensou duas vezes antes de me ajudar.”

E por incrível que pareça tem histórias mais difíceis de acreditar, como a do Luiz Felipe Coutinho, 22 anos, estudante de Engenharia de Produção. Em 2013, ele e um grupo de amigos foi para um jogo de libertadores de Kombi e uma surpresa aconteceu. “Encontramos um repórter atrasado com o carro estragado na Linha Vermelha. Nós demos carona para o repórter, ele entrou ao vivo no pré-jogo da rádio de dentro da kombi chamando de ‘kombi tricolor de Juiz de Fora’. E para melhorar conseguimos com ele entradas para todos no camarote.”

Carolina Soares, estudante de Direito, de 25 anos, conta uma possível razão comum que leva todos os torcedores aos estádios para encher as arquibancadas. Ela explica: "No estádio tem todo calor humano da torcida e a energia que o time passa de dentro do campo. É isso que me movimenta e faz com que eu faça todo o esforço para estar lá".

São muitas as memórias que preenchem as arquibancadas. Cada pessoa que entoa as músicas nos estádios chegou ali de uma forma. São elas que ajudam a contar a história de um jogo, de um campeonato e até do próprio time. Sem os torcedores os clubes são somente clubes, mas a união dos dois é que faz a magia e constrói a paixão.

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