#4anosFPE: futebol de afetos

Atualizado: Jul 25

Futebol na minha família sempre foi coisa de homem. Não por uma questão sexista, pelo menos explicitamente, mas porque minha vó dizia não ter muita paciência para ficar acompanhando os jogos. “Eu tenho mais o que fazer do que ficar vendo homem correndo atrás de bola.”, era o que ela dizia. E ainda achava uma bobagem tamanha a extrema dedicação dada pelo meu avô, meu pai e meu tio ao Ceará e ao Fortaleza, respectivos times deles.

Por isso, durante minha infância não dei muita atenção ao esporte. Apesar de ser conteúdo constante na televisão da sala, futebol só ganhava alguma importância para minha em época de copa. Nos reuníamos em frente a tv, cantávamos junto o hino e dávamos dicas para os técnicos como se eles pudessem ouvir. Era o único momento para a minha avó que o esporte deixava de ser perca de tempo e ela dava seus pitacos. Na real, sempre achei os comentários dela melhores.

E foi em um mundial que despertei para o futebol. No primeiro jogo do Brasil contra a Croácia, na icônica Copa de 2014. A razão não foi a tática ou desempenho das equipes em campo. Foi um jogador, - que por motivos de vergonha não direi o nome - já tinha sido muito fã do Kaká e agora me via com uma obsessão por um outro futebolista. Não tão bom e com muitas controvérsias sobre sua presença no grupo comandado por Felipão. Porém, eu era apenas uma adolescente de 15 anos com critérios baixos.

Passei a acompanhar o campeonato que ele atuava, a não tão emocionante Ligue 1, vesti a camisa do tricolor francês Paris Saint-Germain e declarava por aí meu recente amor pela modalidade. Não perdia um jogo sequer, descobri a Champions League, o Mundial de Clubes, adorava conversar com alguns colegas, somente aqueles que não ficavam me zoando por causa do tal jogador que gostava e por ele ser a razão da minha paixão pelo esporte.

A figura foi o pontapé inicial para que eu entrasse no mundo das quatro linhas e surpreendentemente gostasse muito. A ponto que o futebol foi crucial para a decisão do curso na faculdade. Escolhi Jornalismo porque gostava de muitas coisas e falar sobre elas, o futebol estava no meio. A profissão ofereceu para mim um campo para trabalhar com o que me agrada. Embora, não tivesse muitas referências na área que pretendia atuar, em 2015 ainda não havia muitas comentaristas. Mas tinha a principal, minha avó, que sempre teve interpretações de jogo bem sensatas.

Os percalços foram muitos, desde os comentários dos meninos do colégio que afirmavam que aquilo não passava de uma fase, até no mercado de trabalho, quando me deparava com crises de ansiedade diárias por não me achar competente para falar daquilo que mais gostava. Pensei até em desistir, quase me convenci de que era um sonho bobo. Contudo, essa palavra não é muito frequente em meu vocabulário. Deus me deus forças e continuei em busca do meu sonho.

Foi quando mandei meu primeiro texto para o Futebol por Elas, “As aventuras da menina azul”, inspirado na morte de uma torcedora de um time do Irã. Já conhecia o blog desde 2017, quando entrei em contato com uma das moças que faz parte da equipe para um artigo sobre futebol feminino que estava escrevendo para uma disciplina. Ela havia me dito que se algum dia tivesse alguma crônica ou texto esportivo, era só falar que ela fazia a ponte entre mim e as meninas do blog. Três anos depois eu tinha algo que considerava bom o suficiente.

O espaço que o Por Elas nos oferece é extremamente rico, principalmente para mulheres como que ainda estão começando, que ainda se sentem inseguras para falar sobre algo que já lhes foi negado. Escrever para o Futebol por Elas para mim é uma oportunidade de ouro, é Deus me dizendo que ainda que enfrente lutas, Ele não manda nada que não posso aguentar e ainda melhor: manda anjos para me ajudar.

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