#4anosFPE: eu, o Flamengo e o Futebol por Elas

Atualizado: Jul 25


É difícil lembrar quando comecei a gostar de futebol. Até porque acredito que os apaixonados por futebol já nascem com uma predisposição ao sofrimento. Não importa pra qual time você torça, qual campeonato acompanhe ou de qual região venha: se você gosta de futebol, mais cedo ou mais tarde vai sofrer.

No meu caso, nasci no ano de um dos títulos mais importantes da história da seleção brasileira: o tetra em 1994. Mas a minha conexão com o futebol já começa antes mesmo de eu nascer. Minha bisavó, Dona Maria Júlia era uma flamenguista fanática, mas no seu tempo, mulheres não podiam torcer. Durante a gravidez da minha mãe, os médicos disseram que as chances de ser um menino eram muito grandes. Alegria enorme pro meu irmão, entusiasta pelo futebol, que achou que ganharia um parceiro pra assistir os jogos.

Pronto, nasci. Menina. Que tristeza! Ops... nem tanta tristeza assim. Nasci na contramão de um mundo que insiste em afastar as mulheres do futebol. Infelizmente pra esse mundo, felizmente pra mim, remei contra a maré e segui os passos da minha bisa. Flamenguista doente. Doente mesmo, de passar mal em jogos decisivos, de acompanhar nos piores e melhores momentos.

E acho que essa talvez seja a história da maioria das mulheres que torcem apaixonadamente por algum time no Brasil (talvez no mundo): andar contra o fluxo que insiste em querer nos afastar dos estádios, das TVs e das linhas. Mas nós estamos aqui, e não vamos a lugar nenhum. O futebol é nosso!

E no meio dessa vida de encontrar meu espaço no futebol, encontrei o Futebol por Elas. Já seguia a página desde bastante tempo, quando uma noite, já deitada pra dormir, vi um post que dizia que as meninas que quisessem participar poderiam enviar uma crônica livre. Esbocei algo no rascunho do celular, a história de como minha bisavó tinha me influenciado a ser a torcedora que sou. Enviei despretensiosamente e fui dormir. No dia seguinte, uma resposta. Desde então, o desafio de ser mulher e fã de futebol tem se tornado menos difícil, mais engraçado e mais leve. Nós vivemos futebol e nós somos futebol. Somos futebol por elas.

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