2019: do cheirinho ao improvável, Flamengo conquista o bicampeonato

Atualizado: Jul 25

Aos 43 minutos da partida mais importante dos últimos 38 anos, milhões de corações pulsavam aliviados e esperançosos. No minuto 46, eles pulsavam acelerados, com muita alegria e euforia. A sensação era de que os batimentos parariam ali. Estamos falando de Flamengo x River Plate. Dia 23 de novembro de 2019. Mais uma data histórica para milhões de torcedores e para um clube que, sobretudo, vem conquistando respeito e admiração em todos os cantos do mundo.

Mas, a história que ganhou novo rumo no minuto 43, consagrada no minuto 46, no dia 23 de novembro, começou bem antes. Vamos fazer um retrospecto? O ano era 2018. Assim como no ano atual, Flamengo e Palmeiras disputavam o título de campeão brasileiro, conquistado, daquela vez, pelo clube paulista. Mas a vice-liderança também deu acesso para o time rubro-negro à Copa Libertadores da América de 2019. Por meio de um sorteio, o clube passou a compor o grupo D, ao lado de San José, LDU e Peñarol.

A estreia do Flamengo na competição foi no dia 5 de março, em Oruro, contra o San José, da Bolívia, quando o time brasileiro saiu vitorioso por 1 a 0. Uma semana depois ele recebeu o LDU Quito em casa, no Maracanã, e os fizeram voltar para o Equador com a derrota de 3 a 1 para o Flamengo.

De novo no Maracanã, o Flamengo recebeu o Peñarol pela terceira rodada do campeonato e foi derrotado por 1 a 0 pelo time uruguaio. No dia 11 de abril, os flamenguistas quiseram relembrar o 7 a 1 entre Alemanha e Brasil e ficou no quaaaase. O San José viajou até o Brasil e, de volta para casa, levou na mala a derrota por 6 a 1. Em Quito, na quinta rodada, o rubro-negro perdeu para o LDU por 2 a 1. Já na última partida pela fase de grupos, desta vez em Montevidéu, Peñarol e Flamengo ficaram no 0 a 0.

Com esse histórico, o time carioca se tornou líder do grupo D por superar no saldo de gols e se classificou ás oitavas de final da Copa. Já nas oitavas, o clube liderado por Jorge Jesus, tomou um banho de água fria e perdeu a partida de ida por 2 a 0 para o Emelec, em Guaiaquil, no Equador. Naquele dia, nada parecia dar certo e nem mesmo a vantagem de jogar com um a mais, após a expulsão de Vega, durou muito tempo. O time com atuação ruim levou Jorge Jesus a fazer as três alterações cedo demais - é que ele não podia prever o que vinha pela frente. Aos 25 do segundo tempo, Diego sofreu uma fratura óssea e precisou desfalcar o time. Assim, o meia se juntou à Éverton Ribeiro, Arrascaeta e Vitinho, também afastados por lesão. Fim de partida. Parecia uma ameaça ao sonho que estava há 38 anos longe.

Mas o jeito Flamengo de ser mudou a história mais uma vez no jogo de volta. Os flamenguistas lotaram o Maracanã e fizeram uma linda festa. Para retribuir, Gabigol balançou a rede duas vezes. Fim dos 90 minutos, com a soma das duas partidas, tudo igual no placar. Decisão nos pênaltis. Haja coração! Mas aquela noite era do Flamengo. Arrascaeta foi e fez, Angulo empatou para o Emelec. Bruno Henrique também marcou e, com o gol de Cortez, tudo igual novamente. Renê marcou e Diego Alves brilhou ao defender o chute de Arroyo. Rafinha fez o dele e aumentou a vantagem rubro-negra. Com um chute alto, Queiroz acertou o travessão, deixando de marcar para o Emelec, e consagrou a vitória do Flamengo e a consequente classificação para as quartas de final da Libertadores.

Nas quartas era Brasil x Brasil. O Flamengo recebeu o Internacional no Maracanã e abriu a vantagem na competição com o placar de 2 a 0, sendo ambos os gols marcados por Bruno Henrique. Uma semana depois, no Beira-Rio, o Inter saiu na frente, mas Gabigol empatou e com o placar de 1 a 1, o Flamengo chegou à semifinal depois de 35 anos. Mais uma marca histórica sendo atingida pela equipe de Jorge Jesus.

É claro que o Flamengo não esperou 35 anos para se classificar para a final sem emoção. No jogo de ida da semifinal contra o Grêmio, o VAR roubou a cena. Três gols anulados e a superioridade do Flamengo não foi suficiente para mudar o rumo do jogo. De cinco gols na noite, só valeu o de cabeça marcado por Bruno Henrique e o de Pepê no momento do empate. Assim, ficou tudo igual em Porto Alegre, na Arena do Grêmio, com 1 a 1 no placar.

Com isso, partiu decidir no Maraca! Lá foi tudo chocolate. Recorde de público, recorde de audiência na TV, goleada, clima de festa e, claro, mais um marco histórico para o Flamengo. Dois de Gabigol, um de Bruno Henrique, um de Rodrigo Caio e outro de Pablo Marí. Com o placar de 5 a 0, o clube carioca chegou na final da Libertadores após 38 anos..

Até então, tudo certo! A decisão estava marcada em uma partida única que aconteceria em Santiago, no Chile. Mas, às vésperas do jogo, a Conmebol anunciou a mudança de local do último jogo. A decisão foi motivada pela série de protestos que estavam acontecendo no Chile, o que podia comprometer a partida. Com isso, Lima, no Peru, passou a ser o novo destino de torcedores de Flamengo e River Plate.


23 de dezembro de 2019. O dia em que o clube carioca comemorava exatos 38 anos do primeiro título de campeão da Libertadores. Esse era também o dia em que eles sonhavam comemorar o segundo. Em 1981, o Flamengo de Zico derrotou o Cobreloa e ergueu a taça de campeão da América pela primeira vez. 2019 era o ano de repetir a história!

42 milhões de corações espalhados pelo mundo, batiam apreensivos, inclusive em Lima. A honra de ter a maior torcida do mundo, dava ao Flamengo o poder de se sentir em casa em qualquer lugar. Os flamenguistas embarcaram - literalmente - nessa com o time tão querido. As ruas de Lima foram preenchidas de preto e vermelho e, como de costume, os rubro-negros comprovaram a paixão pelo Flamengo, sendo maioria na compra dos bilhetes para o jogo mais importante da competição.

A festa foi muito aguardada e planejada por todos, independente se o palco seria o estádio Monumental U, os bares, as casas, as ruas ou os estádios brasileiros. A massa rubro-negra se uniu e assim permaneceu até o final.

Início de partida. Nos primeiros minutos tudo ia bem. Aos poucos, o Flamengo passou a se perder no jogo e sofreu com a excelente marcação da equipe argentina. Aos 15 minutos do primeiro tempo, Nacho Fernández cruzou, a zaga flamenguista falhou e Borré marcou para o River Plate. Flamengo em desvantagem, porém, até aí ok. Afinal, tinha muita bola para rolar.

Mas, se enganou quem achou que seria fácil. O clube argentino fez valer sua experiência, controlou muito bem o jogo e passou a empilhar chances de gols. Jogadas e marcações muito bem calculadas pelo técnico Marcelo Gallardo. Por melhor que fosse o elenco milionário do Flamengo, ganhar espaço e fazer jogadas criativas parecia quase impossível para os rubro-negros.

Eis que aos 20 minutos do segundo tempo Diego Ribas entrou e mudou os rumos da partida. Era ele quem faltava. Com agilidade e rapidez, o meia conseguia escapar das marcações e fazer com que a bola chegasse nos pés de seus companheiros. De um lado, o cansaço dos argentinos dava sinais enquanto o Flamengo crescia a cada segundo. Mas o relógio não perdoa. Os minutos iam passando e o placar ainda derrotava o clube brasileiro. Seria mais um dia em que o bordão “cheirinho” voltaria a dar alegria para os anti-flamenguistas? Como só cheira quem chega perto - e o Flamengo estava mais perto do que nunca - eles não desistiram.

Minutos finais, agora era tudo ou nada. Naquela altura do campeonato era preciso apenas uma chance. No minuto 43 ela chegou. Lucas Pratto perdeu a bola na intermediária e Bruno Henrique armou o contra-ataque. Arrascaeta recebeu e cruzou para Gabigol, que marcou o gol da esperança. O improvável aconteceu e, então, tudo igual no Monumental U. Os corações acelerados já se preparavam para os pênaltis, até que no minuto 46, já nos acréscimos, o mesmo Gabigol marcou o gol que demorou 38 anos para acontecer. Era o gol do título. Ali se encerrava um jejum de quase 4 décadas. Festa vermelha e preta, choro, abraços, Flamengo. O inacreditável Flamengo fazendo o que só ele consegue fazer, deixar milhões de apaixonados apreensivos durante 88 minutos e torná-los os torcedores mais realizados e felizes em questão de segundos.

Esse título tem muito a nos ensinar. O Minuto 43 nos mostrou que o jogo só acaba quando termina. O Flamengo lutou bravamente pelo título e não desistiu nem sequer um segundo. O Flamengo venceu no detalhe. E são os detalhes que fazem a diferença. São os detalhes que formam campeões. O time rubro-negro fez jus à campanha e jogou junto pela Copa até o fim. E a verdade é que histórias como esta só gigantes podem contar. Ah, e elas nunca têm fim. O Mundial vem aí!

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