• Karoline Tavares

50 anos do Tri: conheça Joel Camargo

Atualizado: Jul 24

No último domingo (21), o tricampeonato do Brasil em Copas do Mundo completou 50 anos. Naquele time icônico, considerado por muitos como a melhor seleção brasileira de todos os tempos, existiu um personagem que nem chegou a entrar em campo, mas teve uma história futebolística (e de vida) sensacional: Joel Camargo.


Início da trajetória no futebol

Joel nasceu em Santos (SP), no dia 18 de setembro de 1946. Começou a carreira na Portuguesa Santista e, logo em seguida, aos 16 anos, chegou ao principal time da cidade. Lá, o zagueiro ganhou o apelido de Açucareiro, por correr com os braços bem abertos, semelhante ao formato do objeto de cozinha. Apesar da inegável qualidade, foi reserva em alguns jogos, pois a concorrência na zaga era grande na época.


Foi chamado para defender o Brasil pela primeira vez em 1964, aos 18 anos, por Vicente Feola. Com a chegada de João Saldanha ao comando técnico, em 1969, a presença de Joel era certa no time principal da seleção. Algumas vezes, chegou a ser titular com o Brasil e reserva no Santos.


Com a troca de treinadores da seleção em março de 1970, já no ano da Copa do Mundo, Joel perdeu espaço. Foi um dos 22 selecionados por Zagallo para o Mundial, mas não entrou em campo. Foi campeão do mundo carregando a frustração de não jogar e ajudar a equipe.


Vida conturbada

Em novembro de 1970, o jogador se envolveu em um acidente de carro e passou seis meses internado. Outras duas pessoas que estavam no veículo morreram. Joel foi condenado por homicídio culposo, mas respondeu em liberdade. Em 1971, o Santos rescindiu o contrato com o atleta.

Naquele mesmo ano, foi para o Paris Saint-Germain, se tornando o primeiro brasileiro a jogar pelo clube francês. Só que Joel atuou em apenas dois jogos e, devido a desgastes com jogadores e outros profissionais da equipe, foi embora três meses depois de chegar.


No retorno ao Brasil, jogou no CRB (AL) e no Saad Esporte Clube (MS), mas se aposentou do futebol aos 29 anos. Depois disso, passou por problemas financeiros e teve que vender até a medalha de campeão de 1970.


Voz pioneira contra o racismo no futebol

Joel Camargo foi uma figura importante pro futebol não apenas pela qualidade dentro de campo, mas também pela voz fora dele, pois se manifestava frequentemente contra o racismo.


Em entrevista ao jornalista Breiller Pires, em 2014, na revista Placar, disse que em uma ocasião quiseram que ele falasse que não existia preconceito no Brasil. "P****, eu sou preto! Sei como as coisas funcionam."

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