• Paula Delgado

8 de março: o dia para recapitular cada vitória

Hoje poderia ser mais um dia comum como os outros 365 ou 366 de um ano. Porém, hoje é dia de homenagear 49,6% da população mundial: as mulheres.


Ser mulher hoje é ser mulher ontem. Nem tudo mudou, mas muita coisa está diferente. Esse dia é um pequeno pedaço do que é ser mulher todos os dias. 8 de março é uma data para se pensar em tudo que conquistamos, sejam conquistas pessoais ou coletivas.


O futebol é democrático, mas as pessoas não. Por isso, tivemos que lutar para que pudéssemos vestir a camisa do nosso time e nos juntarmos à torcida nas arquibancadas. Tivemos a luta brasileira, a luta inglesa, a luta israelense e tantas outras. Porque o futebol é a nossa paixão, é a nossa alegria.


Soa estranho a gente ter que falar e reviver que o futebol foi uma conquista, mas relembrar a história é não deixá-la se repetir. Hoje é um dia de força, um dia para se ter orgulho. Ele lembra que eu, você e todas nós temos algo em comum e algo para acreditar.


Então, não desanime se você achar que está tudo ruim, porque nada está 100% ruim. Olhe onde estamos agora, eu aqui falando de futebol, vocês aí lendo sobre futebol, nós lá assistindo nosso time jogar, naquele domingo quente, mais uma partida em busca da vitória.


Vista sua camisa, você vai carregar o escudo do seu time e a lembrança de uma conquista de séculos de batalha. Que hoje e sempre o sangue da paixão pelo futebol e da igualdade continue correndo pelas veias de cada vez mais mulheres pelo mundo afora.


Brasil

Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”, dizia o decreto-lei 3.199 de 14 de abril de 1941.

Essa foi a lei criada em 1941, pelo então presidente Getúlio Vargas, proibindo as mulheres de praticar o futebol. Somente em 1979, as mulheres puderam jogar futebol sem estar "fora da lei".


Entretanto, só em 1983 a prática foi oficialmente regulamentada. Ou seja, 4 anos depois do decreto ter caído. Quantas Martas, Formigas, Cristianes nós poderíamos ter visto jogar e se perderam por um preconceito bobo e tão absurdo?


Inglaterra

Primeira Guerra Mundial. Homens nos campos de batalha e mulheres fazendo o país funcionar naquele caos. As fábricas com presença feminina em massa, o mercado de trabalho como um todo preenchido por mulheres sustentando as famílias, enquanto os homens defendiam a pátria.


Então surgiu o Lendário, icônico e glorioso Dick, Kerr Ladies. Ele conquistou a Inglaterra. Colocou abola para rolar e 11 mulheres em campo, e depois mais 11 e mais 11. Encantou todo um país, revolucionou a história feminina, mas nem tudo são flores.


Com o fim da guerra, os soldados retornaram e viram que o país fluía com o trabalho feminino e, acima de tudo, aquele time fez história e tinha o respeito e admiração da população. Então, começou um movimento contra as mulheres no futebol.


Assim como no Brasil, na verdade, no Brasil assim como na Inglaterra, a desculpa dada pela proibição em 1921 foi que a prática do esporte era incompatível com o bem-estar feminino.


Somente em 1970, a Inglaterra, depois de uma forte pressão da FIFA sobre a Federação Inglesa a proibição foi anulada e assim acabou um dos maiores crimes do futebol.


Irã

Proibir mulheres de torcer e ir ao estádio parece até história do século passado, mas, infelizmente, não é. Quando as brasileiras retomaram sua liberdade no futebol, as iranianas viram um outro tipo de regra de impedimento. No Irã, desde 1979, as mulheres são proibidas de frequentar partidas de futebol masculino e outros eventos esportivos.


Entretanto, em junho de 2018, graças ao movimento Open Stadium, elas conseguiram uma liberação do regime dos aiatolás para verem uma partida de futebol masculino, da Copa do Mundo da Rússia, de dentro do estádio.


Em junho de 2019 a FIFA aumentou a pressão sobre o governo iraniano para que permita que mulheres frequentem as partidas de futebol. A instituição pediu à Federação Iraniana de Futebol para enviar um cronograma com a liberação para que elas possam assistir aos jogos que começam em outubro.


Toda essa cobrança vem da ideia de que elas possam ver as eliminatórias da República Islâmica para a Copa do Mundo de 2022. No dia 27 de agosto passado, o movimento Open Stadium conquistou, com o apoio da FIFA, este direito e, com isso, as mulheres poderão assistir ao jogo Irã e Camboja, no Estádio Azadi, em Teerã.

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