• Karoline Tavares

A irresponsabilidade da manutenção de competições em meio a uma pandemia

Atualizado: Jul 24

O assunto que domina as manchetes de jornal em todo o mundo atualmente é apenas um: coronavírus. Uma doença de fácil disseminação e que pode até matar, se os devidos cuidados não forem tomados. Obviamente, o mundo do esporte não é imune a isso e foi quase completamente paralisado, pouco a pouco. Mas fica o questionamento: será que a velocidade com que essa paralisação ocorreu foi suficiente?


Em alguns casos, sabemos que não. Times de países como Itália e Espanha, dois dos quatro com mais infectados e mortos do mundo, enfrentaram-se em competições continentais que demoraram a ser paradas, como a Champions League. No dia 17 de março, o Valencia lançou uma nota informando que 35% do staff do time principal, entre jogadores, comissão técnica e outros profissionais, havia sido diagnosticado positivamente para a COVID-19.


Pelas oitavas de final da Champions, o time espanhol havia enfrentado a Atalanta, da Itália. Um dia antes da partida de volta na casa do Valencia, 9 de março, a Itália era o segundo país do mundo mais afetado pelo coronavírus, atrás apenas da China, epicentro da doença. Mesmo assim, o jogo aconteceu.


A partir das recomendações impostas aos governos, as Federações e Confederações responsáveis pelas competições começaram a tomar medidas de controle de aglomerações. Primeiro, portões fechados; depois, quando se deram conta da gravidade da situação e de que as equipes poderiam ser afetadas grandemente, adiamento ou suspensão total.


No Brasil e nos vizinhos da América do Sul, essas decisões não deixaram de ser arrastadas. Libertadores, Sulamericana e campeonatos estaduais que movimentam o início de temporada por aqui seguiram normalmente em um primeiro momento. Em seguida, veio a decisão de fechar os portões em alguns estados que já contabilizavam casos da doença. Até que, depois de a Confederação Brasileira de Futebol decidir suspender todos os torneios sob sua tutela (Copa do Brasil, Campeonatos Brasileiros Femininos A1 e A2, Campeonato Brasileiro Sub-17 e Copa do Brasil Sub-20), restou às federações estaduais votarem e resolverem se dariam continuação ou não aos respectivos torneios.


Ao longo de todo esse processo (e que aconteceu não somente no futebol mundial como também em outros esportes), a demora expôs equipes inteiras e suas famílias ao risco. Um jovem saudável pode ter o vírus e ser assintomático, mas contaminar pais, avós e outras pessoas que fazem parte de grupos de risco. Cada caso é um caso, mas isso valeria a pena? A que custo? Em uma situação fora do controle da população, o mínimo que temos que fazer é evitar a disseminação de uma doença como essa. E para amantes do futebol, como eu, resta apenas ficar em casa com os seus, lavar bem as mãos, se alimentar bem e apreciar aquele(s) jogo(s) marcante(s) do seu time do coração enquanto ele não retorna.

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