• Stephany Locatelli

A temperagem dos chocolates no futebol

Faltando um dia para a Páscoa só consigo pensar em chocolate. É tradição! Tem coisa mais deliciosa que um chocolate? Tem para todos os gostos: branco, ao leite, meio amargo, amargo... Dá para agradar todo mundo. Ou quase todo mundo... Há um tipo de chocolate que não é bem visto dependendo da maneira como é “feito”.


No futebol “levar um chocolate” não é algo agradável. Essa expressão surgiu em 25 de janeiro de 1981 quando o Vasco da Gama venceu o Interacional por 4 a 0 sendo considerado para os vascaínos uma “vingança” à derrota da final do Brasileirão de 1979. O comentarista Washington Rodrigues lembrou a clássica canção “El Bodeguero” do músico cubano Ricard Egues que tem na letra a seguinte expressão: “Toma chocolate? Paga lo que debes”. Fez sentindo para aquele jogo em questão, e desde então "chocolate" faz parte do vocabulário futebolístico para se referir às goleadas.


Um dos chocolates mais amargo para o povo brasileiro é o fatídico 7 a 1 contra a Alemanha. Ah! Se tem um jogo que gostaríamos de esquecer com certeza é essa semifinal na Copa do Mundo de 2014. Na confeitaria, a temperatura do chocolate é fundamental para um bom resultado quando queremos fazer casquinhas de ovos ou bombons, por exemplo, por isso existe a temperagem. Isso faltou no time brasileiro, mas teve de sobra no alemão. Sem Neymar, o Brasil se postou ofensivamente, mas o encaixe dos primeiros minutos foi pura ilusão. Muller abriu o placar e depois disso foi um gol atrás do outro. (Confesso que ainda tenho pesadelos com o ataque alemão, quem sabe no especial de Halloween esse jogo não dê um bom texto, não é?) O placar fechou com o gol de honra do brasileiro Oscar. Essa goleada se tornou a maior e, consequentemente, um dos maiores vexames da história da Seleção Brasileira.


Divulgação

Um outro chocolate, esse recente, aconteceu na Champions League. Está certo que a Suíça é considerada a capital do chocolate e eles estão entre os melhores do mundo, mas os alemães sabem muito bem preparar um cesta com muitos gols para os adversários. Não está fácil para ninguém, para o Messi então... Na última temporada o argentino viu o seu time ser eliminado das quartas de finais da Champions League por um Bayern avassalador. Foram quatro gols em cada tempo. Um resultado final de 8 a 2. Uma ressalva: quatro nomes do Bayern desta partida estavam presentes naquele 8 de junho (conhecido como 7 a 1) e eram eles: Neuer, Boateng, Thomas Muller e Hans-Dieter Flick (que era auxiliar de Joachim Löw (eu disse que esse jogo assombra o brasileiro até hoje, não disse?).


Mas, antes de “ganhar” chocolates era o Barcelona que presenteava os rivais. Quem não se lembra daquele delicioso jogo em 2017 quando os culés protagonizaram uma das maiores viradas na Champions League pra cima do PSG? Depois de perder o jogo de ida por 4 a 0, jogo esse que a temperagem parisiense estava no ponto, o Barcelona deveria lutar contra o impossível pela classificação. O PSG, por sua vez, não precisava de muito, mas não fez nem sequer o pouco, até porque a temperagem não dura para sempre. Com Neymar, Messi, Suárez e companhia o Barcelona fechou o jogo com um 6 a 1 no placar, mas esse sexto gol (o gol da classificação) veio no último minuto de jogo! Neymar lançou para Sergi Roberto que se atirou na bola e marcou levando o Camp Nou, a torcida em casa e até os narradores à loucura: “Minha Nossa Senhora, o impossível aconteceu, meu Deus do céu! Gol do milagre, do impossível. um gol mágico! O gol mais improvável da história” Sim, André Henning, nós te entendemos.


E se esses chocolates ainda não são suficientes... Calma! Tenho mais dois aqui. Esses nacionais e com direito a variedades para mostrar assim como nos exemplos acima que quem recebe também pode “presentear”.


Campeonato Paulista. Janeiro de 2014. Clássico alvinegro e vitória santista. Aquela vitória com gostinho de quero mais. O Santos deu show de bola na Vila Belmiro com direito a olé (uma marca nova de chocolate?). O Peixe não deu qualquer chance para o Corinthians reagir foi 5 a 1. Que jogo! E que chocolate! Mas, um ano depois foi a vez do Corinthians ter o gostinho doce e o rival São Paulo lidar com o amargo da derrota. A goleada por 6 a 1 em novembro de 2015 corou com maestria o título brasileiro da temporada.


As goleadas sempre terão os dois lados do chocolate: o doce e o amargo. Pois é, quem diria que esse doce tão amado por tantas pessoas ao redor do mundo com um papel significativo de melhorar o humor de alguém seria motivo de tristeza, não é? Isso é futebol! E tudo bem não gostar de um ou outro chocolate nesse caso. E aí, nessa Páscoa qual o chocolate não pode faltar?

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