Anna, o que é impedimento?

Atualizado: 24 de Jul de 2020

Eu lembro quando você me pediu para explicar a regra do impedimento pela primeira vez. Você tinha começado a entender como é a loucura de ser apaixonada por futebol há poucos meses, olhou para mim com o olhinho brilhando e perguntou: “Anna, me explica uma coisa: quando é impedimento?”. Eu já tinha escutado a mesma pergunta tantas vezes, nunca achei que seria capaz de ouvi-lá e ficar feliz.

Mas é que, mana, diferente das outras vezes a pergunta não veio acompanhada do ar de superioridade daqueles que julgam que o futebol é lugar de um sexo só.

Você queria apenas entender melhor as regras do esporte que estava começando a acompanhar. Aí eu fiz o que toda irmã com um pouco de bom senso faria: peguei palitinhos de dente, desenhei um campo de futebol e coloquei toda minha didática em prática.

Na hora, o que passou pela minha cabeça foi que eu tinha que te preparar, que você tinha que sair dali sabendo tudo, porque você seria questionada pelo resto da vida com a mesma pergunta que havia me feito minutos antes: “O que é impedimento?”.

E eu sabia que essa não seria a única coisa que colocariam em dúvida sobre você e a sua paixão pelo futebol. A história se repete com todas nós, cada uma a seu modo vivendo o machismo de cada dia.

Quando a gente começa a se interessar por futebol, não pensa em nada disso – a gente só quer torcer, acompanhar e nos divertir. E, afinal, por que haveríamos de pensar?

Só que depois de um tempo, é inevitável: você quer participar das conversas sobre a rodada e, entre olhares desconfiados, precisa responder uma série de perguntas que variam das tradicionais “o que é impedimento” e “então me fala a escalação do time no ano tal” até “você só quer chamar a atenção, né?”. E você nota que tem muitos homens que entendem bem menos que você e não passam pelo mesmo interrogatório.

A gente não tem que explicar o que é impedimento para provar que entende o que acontece dentro das quatro linhas. A gente não tem que provar nada para ninguém.

Como mulher apaixonada por futebol linhas, o único dever que me coloco é o de apoiar toda e qualquer uma de nós que se envolva com o esporte, para termos a liberdade de fazer o que bem entendermos: acompanhar todos os jogos ou assistir as partidas de vez em quando, jogar bola, debater sobre os jogos, estudar sobre futebol, torcer loucamente ou quietinha. Ninguém pode nos impedir.

Eu lembro quando você me pediu para explicar a regra do impedimento pela primeira vez. Você tinha começado a entender como é a loucura de ser apaixonada por futebol há poucos meses, olhou para mim com o olhinho brilhando e perguntou: “Anna, me explica uma coisa: quando é impedimento?”. Eu já tinha escutado a mesma pergunta tantas vezes, nunca achei que seria capaz de ouvi-lá e ficar feliz.

Mas é que, mana, diferente das outras vezes a pergunta não veio acompanhada do ar de superioridade daqueles que julgam que o futebol é lugar de um sexo só.

Você queria apenas entender melhor as regras do esporte que estava começando a acompanhar. Aí eu fiz o que toda irmã com um pouco de bom senso faria: peguei palitinhos de dente, desenhei um campo de futebol e coloquei toda minha didática em prática.

Na hora, o que passou pela minha cabeça foi que eu tinha que te preparar, que você tinha que sair dali sabendo tudo, porque você seria questionada pelo resto da vida com a mesma pergunta que havia me feito minutos antes: “O que é impedimento?”. E eu sabia que essa não seria a única coisa que colocariam em dúvida sobre você e a sua paixão pelo futebol. A história se repete com todas nós, cada uma a seu modo vivendo o machismo de cada dia.

Quando a gente começa a se interessar por futebol, não pensa em nada disso – a gente só quer torcer, acompanhar e nos divertir. E, afinal, por que haveríamos de pensar?

Só que depois de um tempo, é inevitável: você quer participar das conversas sobre a rodada e, entre olhares desconfiados, precisa responder uma série de perguntas que variam das tradicionais “o que é impedimento” e “então me fala a escalação do time no ano tal” até “você só quer chamar a atenção, né?”. E você nota que tem muitos homens que entendem bem menos que você e não passam pelo mesmo interrogatório.

A gente não tem que explicar o que é impedimento para provar que entende o que acontece dentro das quatro linhas. A gente não tem que provar nada para ninguém.

Como mulher apaixonada por futebol linhas, o único dever que me coloco é o de apoiar toda e qualquer uma de nós que se envolva com o esporte, para termos a liberdade de fazer o que bem entendermos: acompanhar todos os jogos ou assistir as partidas de vez em quando, jogar bola, debater sobre os jogos, estudar sobre futebol, torcer loucamente ou quietinha. Ninguém pode nos impedir.

Eu queria poder falar com a Anna de 12 anos e dizer que tudo bem não saber a resposta de algumas perguntas. Como não posso, digo para você, maninha: eu não sei se vai chegar o dia em que vai ser normal ganharmos bola de presente ou irmos sozinhas ao estádio.

Mas mesmo que nunca chegue o momento em que nossa paixão não seja questionada, eu te peço para jamais pensar que está ocupando um espaço que não é seu. Apesar de tentarem apagar o nosso papel no esporte, o futebol também é nosso.


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