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As tatuagens dos boleiros

Atualizado: Abr 4

A arte de tatuar o corpo acompanha a história do homem. Através da evolução da humanidade, a tatuagem foi ganhando significados diferentes que vão de encontro com o momento histórico. O significado de se tatuar que conhecemos hoje é muito diferente da sua origem. Atualmente, os estúdios de tatuagem fazem sucesso entre jovens e adultos que exercem todo tipo de profissão: médicos, advogados, engenheiros, profissionais do esporte, etc. Mas entre os boleiros é um hábito muito comum de gravar algum desenho na pele. Não raro deparamos seus braços e/ou pernas fechados com a arte e os desenhos escolhidos vão desde personagens de desenhos, nomes dos filhos e esposas, taças de títulos conquistados e até letras de músicas.


Historicamente, são muitos os registros dos homens e povos primitivos adeptos à tatuagem. Interessante destacar a descoberta da Múmia do Similaun ou Ötzi da idade do cobre. A múmia possuía 61 tatuagens da cabeça aos pés que foram produzidos por uma agulha que realizava um corte fino na pele e após passava-se carvão. Segundo pesquisadores, a múmia conservada com cerca de 5.300 anos possuía desenhos de linhas e cruzamentos na cor azul que coincidiam com partes do corpo propensos a dor o que os levou a acreditar que as tatuagens marcavam pontos de acupuntura.


No Egito antigo a tatuagem foi considerada uma marca das classes mais baixas. As primeiras múmias egípcias do sexo feminino descobertas eram membros de um harém de um rei e outras dançarinas ou prostitutas. No Brasil, algumas tribos indígenas traziam tatuagens pelo corpo. É o caso dos waujás e os kadiwéus que utilizavam da pintura definitiva para expressarem rituais de passagem e reverência a alguns elementos da natureza.


Somente em 1891 que surgiu a primeira máquina elétrica de tatuar. A partir deste feito a técnica se difundiu e conquistou a Europa e Estados Unidos. Lembro de ouvir falar que “tatuagem era coisa de presidiário”, isto porque, no século XX era marca registrada dessa classe. Foram os marinheiros ingleses que introduziram essa prática ao reproduzirem no corpo feras do mar, caveiras e embarcações. Eles tatuavam na pele suas aventuras no mar. É importante lembrar que esses profissionais também não dispunham de uma boa condição financeira, muito menos gozavam de alguma influência social, por esta razão a tatuagem era comum nos que frequentavam os guetos, tavernas e prostíbulos.


Em 1840, os freak shows faziam sucesso por apresentar animais e humanos dotados de anomalias. Ainda hoje, os freak shows fazem sucesso, mas trazendo no lugar de anomalias transformações bizarras de homens, dentre elas, tatuagens.


Somente na segunda metade do século XX que a tatuagem incorporou os ideais da cultura ocidental deixando para trás um viés contestatório para tornar-se símbolo de ousadia e personalidade.


A predominância do exterior sobre o interior no mundo contemporâneo se explica a necessidade de se exibir tanto o corpo, mas também o grande sucesso da indústria da beleza e suas ramificações, como é o caso dos estúdios de tatuagem.


Embora haja estudos de pesquisadores alemães afirmando que a tinta que é utilizada para demarcar a pele cause danos de rendimento e recuperação, os jogadores de futebol são os mais adeptos. Confira algumas tatuagens dos boleiros!




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