• Alícia Soares

Carta contra o machismo no futebol

Olá, meu nome é Alícia, faço parte da grande comunidade feminina fanática por futebol e que sofre preconceito e discriminação por ser mulher. Eu, como espectadora e estudante de jornalismo já cansei de receber comentários maldosos de colegas da faculdade em relação a mulher não saber de futebol. No meu caso, a defesa é que como nunca joguei futebol, sei menos do que pessoas que já tiveram vivência no esporte, nem que seja em peladas amadoras.


“Deveriam estar peladas” ou “deveriam estar na cozinha” são duas das frases mais utilizadas por quem acha que o futebol não é espaço para uma mulher estar, seja como jogadora, como torcedora ou como jornalista. Ou ainda, como juíza, como técnica ou como diretora de um clube. Toda mulher com certeza já ouviu alguma piadinha sem graça machista e isso foi aceito há muito tempo. Ter que provar o que é impedimento ou que realmente sabe jogar bola.


Segundo o Diário de Pernambuco, em matéria especial sobre o assunto, mais de 87% das entrevistadas já tiveram a sexualidade questionada por jogarem futebol, ou seja, 10 em cada 11 mulheres já sofreram esse tipo de agressão. O futebol feminino já foi proibido no Brasil! Só para ter certeza de como o machismo no esporte é algo enraizado já nas primeiras sociedades brasileiras.


Nós mulheres já conquistamos muito espaço na área, cada vez mais são vistas mais jornalistas nos campos e em programas de televisão. O Brasileirão Feminino do ano passado foi transmitido em rede nacional e o desse ano continua sendo transmitido também pelo twitter da CBF e pelo MyCujoo, com direito a narradoras, repórteres e comentaristas mulheres. Estamos mostrando o potencial que sempre tivemos, estamos conquistando os direitos que sempre merecemos.


Porém, ao mesmo tempo me pergunto: como que coisas como a que aconteceu com a Vitória Calhau essa semana podem persistir em pleno 2020? Estar ali para ser apresentada para a torcida, e o mascote do time tratá-la com desrespeito. As jogadoras estão ali para serem valorizadas como jogadoras, e não como rostinhos e corpinhos bonitos. Isso é papel de quem se submete a ser miss - e prefiro não citar nomes de próprias mulheres que contribuem para esse pensamento dos homens.


Mas tenho esperança, e ela segue sempre viva. Ver partidas femininas na Europa lotando estádios de grande renome como San Siro e Camp Nou e competições ganhando visibilidade é o início de um grande legado que está por vir.

A Marina Staudt também deu seu parecer sobre o machismo no futebol essa semana, você pode conferir aqui.

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