• Carla Dayube Nunes

Caso Pedro Scudi: do amor ao fanatismo, da intolerância, violência à impunidade

Três membros da Torcida Organizada do Vasco, acusados em prisão preventiva e retidos até então, foram absolvidos em julgamento ocorrido na última quinta-feira (08). Pedro passou 157 dias em coma induzido, vive entre idas e vindas ao hospital e sofre sequelas até os dias de hoje


foto: Nelson Perez / Fluminense / divulgação

A torcida do Fluminense tem um lema muito bonito: “Somente o que sentimos justifica o que fazemos”; é o que resume bem a relação do torcedor com seu clube de futebol: as idas ao estádio, as rezas, mandingas, o apoio incondicional nos momentos ruins… torcedores apaixonados. E é assim que acontece com quem realmente gosta de futebol e se identifica com um clube, não é verdade? Mas até que ponto isso é saudável?


Entenda o caso

Membro da Torcida Organizada Bravo 52, Pedro Lucas Scudiere foi covardemente agredido em fevereiro de 2017, indo pegar o ônibus após uma partida entre Fluminense e Portuguesa, pelo Campeonato Carioca, em Xerém. De acordo com a denúncia e relatos de amigos que estavam com no local, eles estavam guardando os materiais da torcida em um ponto próximo do Maracanã quando membros de uma organizada do Vasco, a Força Jovem, tentaram interceptar, primeiramente, os carros dos amigos de Scudi.


Ao perceberem que não ia dar certo, viram sua oportunidade de vingança com o torcedor sozinho no ponto de ônibus e o atacaram com barras de ferro na cabeça. Pedro Scudi ficou em coma induzido e 157 dias internado no hospital. Atualmente utiliza cadeira de rodas para se locomover e possui sequelas graves. O torcedor chegou a ser submetido a uma cirurgia craniana.


foto: Bravo 52 / divulgação

A Justiça determinou a absolvição e a soltura dos três responsáveis pela barbárie que poderia ter tido um final muito mais triste. A 4ª vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TRJ), em julgamento na última quinta-feira (08), no Tribunal de Justiça (TJ-RJ), determinou a eximição de culpa de três dos quatro membros da Força Jovem envolvidos na denúncia.


Eles haviam sido denunciados pelo Ministério Público por tentativa de homicídio triplamente qualificada, com motivo torpe, impossibilidade de defesa e com requinte de crueldade, além de associação criminosa. A sentença foi justificada na falta de provas suficientes para comprovar a autoria dos supostos crimes.


Diego Augusto Carvalho Ribeiro, Diogo Gabriel de Souza e João Victor Correia Giffoni Hygino, por decisão do juiz Gustavo Gomes Kalil, foram inocentados das acusações e poderão seguir uma vida que hoje Pedro luta para recuperar: uma vida normal. Ainda segue esperando julgamento David Paiva Mendes.


A família de Scudi pretende recorrer, mas a decepção e o sentimento de impunidade percorre os corações de todos os tricolores e verdadeiros apreciadores do futebol que entendem que a rivalidade e o momento de vibrar ou “passar raiva” com o time deve permanecer nos 90 minutos de jogo. Mas para quem eles podem recorrer e pedir que o filho pare de sofrer, sentir dor? Para quem eles podem recorrer para que seu filho volte à vitalidade que lhe foi roubada naquele momento de covardia e brutalidade?


Uma coisa é certa: a família de Pedro Lucas Scudiere aumentou. Além do acompanhamento e suporte do clube, Presidente e jogadores, membros da Bravo 52 e muitos torcedores pelo Brasil querem que a justiça seja feita. Em uma rede social, a Bravo 52, torcida organizada que Pedro Scudi é membro, se mostrou completamente indignada com a decisão tomada pela justiça.


"Brasil o país da impunidade! Com a alegação de falta de provas, a justiça concedeu absolvição dos acusados. A Bravo 52 não desistirá e lutará até o final! São mais de quatro anos de batalha do nosso amigo, um trauma que ficará para sempre em nossas vidas. Um resultado absurdo que comprova a vergonha que é o nosso país. Agradecemos o apoio e torcida de todos. Voltaremos ainda mais fortes! Contamos com vocês!"

“Somente o que sentimos justifica o que fazemos”. Mas NADA justifica a violência, absolutamente NADA! O sentimento da mãe, dos familiares e do próprio Pedro - decepção, revolta, desgosto, entre muitos outros - é um sentimento de todos nós agora. Vamos ajudar a subir a #JustiçaPorScudi e mostrar que futebol e violência são duas categorias totalmente diferentes e não devem entrar juntos em campo.

Posts recentes

Ver tudo