• Bianca Lodi

Coronavírus: impactos no mercado esportivo e o sentimento dos torcedores

Atualizado: Jul 24

Com impacto global do coronavírus, diversos setores do mercado do futebol estão sendo afetados. E trouxe átona, na última quarta-feira (25), a redução dos salários dos jogadores neste momento de paralisação e as consequências que os clubes, órgãos e patrocinadores estão enfrentando atualmente.


A Comissão Nacional dos Clubes (CNC) abriu uma proposta de redução de 25% dos salários dos jogadores durante a paralisação do futebol. Mas a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (FNAPF) rejeitou a solicitação e enviaram uma contraproposta para o presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, que também é o representante da entidade.


Na contraproposta, foi colocada a opção de 30 dias de férias - entre 1 e 30 de abril, mas com pagamento integral das férias e o terço constitucional até o dia 4 de maio. E solicitam o pagamento de salário e de parcela de imagem referente ao mês de março até o dia 7 de abril. Além disso, a FNAPF também pede que fique garantido que os atletas tenham direito a licença remunerada de, no mínimo, 10 dias, entre o Natal e Ano Novo.


Os jogadores também se manifestaram pedindo garantias a CBF para caso os clubes não cumpram o pagamento.


De fato, as paralisações dos jogos começam a surtir efeito dentro dos clubes devido à falta da receita gerada pelas bilheterias e os contratos suspensos das emissoras e patrocinadores com os clubes enquanto não houver confrontos. Sem fluxo de caixa, inicia a preocupação com os pagamentos dos jogadores, funcionários e a continuidade ou não dos campeonatos para gerar retorno financeiro ao time.


O atual cenário é incerto para todos os setores, inclusive para o futebol, e os impactos podem ser curtos ou em longo prazo, podendo alternar de acordo com a situação da pandemia.


E como ficam os torcedores?

Se os clubes já estão preocupados com o retorno ou continuidade dos campeonatos, imagina os torcedores? Muitos têm sentido a ausência dos jogos e a importância desse entretenimento na rotina.


Diante do atual cenário do coronavírus, conversamos com alguns torcedores que carregam o sentimento de saudade diante dos esportes paralisados e preocupação com os times.


A torcedora do Palmeiras, Larissa Rosada, expressou sua visão do cenário. “Tenho percebido que muita gente que também acompanha e é apaixonado por futebol, também se sente mal, pois com todos os esportes pausados não temos muitas ferramentas para saciar essa saudade. Creio que até mesmo os clubes estejam sofrendo sem a renda dos jogos para pagar o salário dos atletas e imagino que esse momento seja de uma lição tanto para os clubes – em valorizarem seus torcedores, quanto também para nós da torcida em um momento tão delicado”, conta.


Larissa Rosada, na final do Campeonato Brasileiro em 2018

Além disso, a torcedora palmeirense relata que faz falta a distração, entretenimento e lazer gratuito que o futebol, basquete e os esportes em geral ofereciam para ela depois de um dia cheio. “Mesmo nos dias em que assistia aos jogos em casa, a sensação de se preparar para a partida colocando uma cerveja na geladeira e estourando uma pipoca era um momento único de felicidade que eu sentia, sendo algo que aguardei a semana toda para ver ao lado do meu pai, já que era uma coisa que fazíamos sempre juntos e agora não há mais”, desabafa.


Larissa destacou também as alternativas que está buscando para amenizar a saudade do futebol e do Verdão. “Tenho continuado a assistir os canais esportivos como o Sportv e a ESPN apenas assistindo as reprises de jogos especiais e campeonatos passados, porém não é algo que me agrada tanto assim. E pesquiso muito na internet e no Instagram sobre o meu time para saber sobre o que acontece internamente, alguma novidade ou como os atletas estão lidando durante essa fase”, conta.


Da raiva em perder um jogo à alegria do gol, inúmeras são as faltas que a modalidade faz nos momento que estamos vivendo hoje. “O futebol é e sempre foi a minha maior fonte de entretenimento, então, eu sinto falta da euforia imensurável de comemorar um gol, a felicidade da vitória e o amargor da derrota, de falar sobre a rodada que acabou de acontecer, ficar ansioso pra acompanhar meu time, zoar os rivais e pasmem, até de passar raiva eu to sentindo falta,“ contou em entrevista o torcedor, Gabriel Vieira.

Gabriel assim como Larissa, está acompanhando diversas mídias que estão postando jogos antigos e históricos, além de assistir inúmeras vezes a final do mundial de 2005. “Outra boa alternativa também são os documentários relacionados a futebol, muitos times investiram nisso há um tempo e estão disponíveis em algumas plataformas de streaming, como a Amazon”, destaca.


Já o atleta e torcedor, Guilherme Almeida, destaca a importância do esporte na vida e a dificuldade de ficar sem jogar. “Sinto falta de tudo, pois hoje em dia com essa situação conseguimos perceber a importância do esporte na nossa rotina. Faz muita falta não só pra quem assiste como principalmente para nós que praticamos todos os dias. Ficar sem o futebol, corrida, ou qualquer outro esporte físico, faz muita falta para nós seres humanos”, relata.


Atleta, Guilherme Almeida

Vivemos o momento família, mas muitos desses momentos eram juntos ao futebol. A torcedora corinthiana, Beatriz Felisberto, destaca que o que mais sente falta é de se reunir com a família para assistir o seu time jogar e de toda adrenalina, felicidade e nervosismo que só torcedor sente.


Além disso, Felisberto está vendo vídeos de partidas decisivas no Instagram como alternativa para matar a saudade do seu time.


E o principal desejo que ambos os torcedores desejam após vencermos o coronavírus: ir ao estádio ver o jogo do seu time!

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