• Karoline Tavares

Da proibição à igualdade na seleção: o percurso do futebol feminino no Brasil

Atualizado: há 2 dias

Jogadoras da seleção feminina de futebol terão diárias e premiações iguais às dos jogadores, de acordo com anúncio feito pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, na última quarta-feira (2). Isso significa que a cada convocação, conquista ou fases alcançadas em Olimpíadas, mulheres e homens que defenderem a nossa camisa verde e amarela receberão o mesmo dinheiro. E isso não poderia ser mais histórico.


Quando fazemos uma linha temporal por tudo o que futebol de mulheres já passou (e ainda passa, não nos enganemos) ao longo da história, podemos perceber o tamanho da conquista anunciada pela CBF.


Um pouco de história

Entre o final do século XIX e início do século XX, o futebol masculino no Brasil já estava se desenvolvendo a todo vapor, trazido principalmente por imigrantes ingleses, italianos e brasileiros que viajaram para a Europa e compraram a ideia do esporte bretão. Por outro lado, os primeiros registros de jogos da modalidade feminina datam das décadas de 1920 e 1930, praticados na região Sudeste.


Só que essas partidas disputadas entre mulheres estavam muito longe de serem vistas como profissionais. Afinal, para muitas pessoas da época, as mulheres eram delicadas demais para praticar um esporte tão "masculino e violento". Assim como para forjar uma comprovação de que as pessoas negras eram incapazes de realizar as mesmas atividades intelectuais que os brancos, foi construída uma ideia biológica de que as mulheres eram morfologicamente inferiores aos homens e, por isso, desqualificadas para a prática do futebol.


Em 1941, o futebol de mulheres foi proibido, por meio do decreto-lei nº 3199, artigo 54, instituído pelo Conselho Nacional de Desportos (CND). Além do futebol, outros esportes que seriam "incompatíveis com a natureza feminina" foram abrangidos pelo decreto. A proibição foi revogada apenas em 1979, 38 anos depois. A efeito de comparação, nesse tempo a seleção masculina conquistou três Copas do Mundo, uma Copa América e três ouros nos Jogos Pan-Americanos.


Em 1983, a modalidade feminina foi regulamentada, e os primeiros clubes começaram a surgir. Cinco anos mais tarde, houve o primeiro torneio internacional, ainda experimental, no qual o Brasil ficou com a medalha de bronze. As atletas atuaram com as sobras dos uniformes dos homens.


Na década de 1990, as coisas começaram a parecer mais animadoras. Veio a participação na primeira Copa do Mundo (1991) e a estreia do futebol feminino em Jogos Olímpicos (1996). Mesmo em meio a muitas dificuldades, a seleção conquistou uma medalha de bronze no Mundial de 1999, com atuações de luxo de Sissi.


Atualidade

De lá pra cá, foram sete Copas América, três ouros em Jogos Pan-Americanos, dois vices em Copas do Mundo e duas pratas em Olimpíadas. Tudo isso ao mesmo tempo em que o investimento e as condições ideais para as atletas faltavam, enquanto as críticas e cobranças sobravam.


Esse breve retrospecto serve para que possamos entender e celebrar essa conquista no futebol de seleções do Brasil, que é apenas o quarto país do mundo a equiparar os pagamentos de jogadores e jogadoras (antes, Austrália, Nova Zelândia e Noruega). Por muitos anos deixado de lado e, ainda hoje, alvo de comentários cheios de ignorância e preconceito por pessoas que não se importam com a categoria, o futebol feminino brasileiro atualmente tem muito o que caminhar em diversos aspectos. Que essa iniciativa sirva para que a modalidade consiga alçar voos ainda mais altos.

0 comentário

Receba as novidades

do Futebol Por Elas

  • Facebook - Black Circle
  • Twitter - Black Circle
  • YouTube - Black Circle
  • Instagram - Black Circle