• Éllen Gerber

Da rejeição ao reconhecimento: De Bruyne

De poucas palavras, mas com muito talento. Assim podemos resumir a lenda: Kevin Yuukerson De Bruyne. Foi aos quatro anos de idade que De Bruyne iniciou os seus primeiros passos, ou melhor, seus primeiros chutes, no futebol em sua cidade.


Nascido em Drongen, na Bélgica, em 28 de junho de 1991, conforme crescia o menino trazia a esperança de uma nova geração para futebol belga. Essa que hoje conhecemos como “geração de ouro”. Ainda que considerado jovem demais por muitas pessoas, Kevin tomou a decisão de se mudar aos 14 anos de idade para jogar nas categorias de base do Genk - já que era inviável para sua família fazer o trajeto até o clube diariamente. Inicialmente, ficou em uma pequena pensão e depois sob os cuidados de uma família paga pelo clube para abrigar garotos da base.


Podemos imaginar quão dificultoso é mudar de cidade e precisar se adaptar mas para um jovem extremamente tímido o sofrimento com certeza foi dobrado. De Bruyne passava grande parte do tempo isolado e em seu único dia livre, voltava à sua cidade para visitar seus pais. Costumava retornar para passar as férias de verão e foi em uma dessas vezes que Kevin De Bruyne passou por uma situação certamente avassaladora em sua vida.


Os humilhados serão exaltados

Ao chegar em casa para passar as férias, De Bruyne relata que viu sua mãe chorando descontroladamente e ao questioná-la descobriu que o motivo do choro era a rejeição dele pela família “adotiva”. Eles decidiram dispensá-lo por ser muito quieto e tímido e ainda disseram que a convivência era complicada. O clube decidiu que se quisesse permanecer, ele precisaria ficar na pensão novamente. Kevin ficou introspectivo (como de costume) e abalado. Sem proferir uma palavra, mas com a mente barulhenta, sabia que o que mais lhe satisfazia era estar dentro do campo, não podia desistir do que lhe fazia desligar a importância que dava para a opinião alheia. Só ali, onde as palavras não importavam, conseguia se expressar.


De Bruyne voltou ainda mais motivado após as férias. Estabeleceu a meta de subir para a equipe principal em dois meses e assim o fez. Com muito esforço e ótimos resultados, em apenas dois meses, aos 17 anos de idade, subiu para o time principal. Costumamos ouvir por aí que os “humilhados serão exaltados” e o capítulo seguinte da história de Kevin fez jus à essa frase. A família que havia o rejeitado chegou a procurá-lo quando sua estrela começou a brilhar. Com 18 anos, o meio-campista já era titular (conquistou a Copa e a Supercopa da Bélgica e o Campeonato Belga).


Aos 20 anos foi comprado pelo Chelsea. Passou uma temporada emprestado ao Werder Bremen da Alemanha. Voltou ao Chelsea em 2013, onde permaneceu até janeiro do ano seguinte, quando foi comprado pelo Wolfsburgo. No clube alemão contribuiu para as conquistas de uma copa e uma Supercopa da Alemanha. Em 2015, Kevin De Bruyne foi contratado pelo Manchester City, seu clube atual, com o qual tem contrato até 2025 e onde já conquistou duas vezes a Premier League, uma Copa e uma Supercopa da Inglaterra e quatro Copas da Liga Inglesa.


De Bruyne foi convocado pela primeira vez pela seleção principal da Bélgica em 2010 e conquistou o 3° lugar inédito da Bélgica na Copa do Mundo de 2018. Carrega também muitas conquistas pessoais, tais como o seu mérito pessoal mais recente: futebolista do ano da Premier League 2019-20. Além disso, a lenda possui uma “marca de roupas (KDB) que destina parte dos lucros à organização Specials Olympics, que ajuda pessoas com deficiência através do esporte” (diz site da UOL em matéria de 2016). Mesmo tendo sofrido sérias lesões, Kevin ainda continua sendo peça importantíssima no City e na seleção belga.

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