• Alessandra Formagini

Depois da Covid-19, o que será do futsal?

Atualizado: 14 de Out de 2020

A prioridade é pensar na saúde do mundo inteiro. Utilizar todas as formas possíveis para barrar a pandemia da Covid-19. Não há argumento contra isso. Em primeiro lugar, o bem-estar dos jogadores, torcedores, diretores e envolvidos. Ponto final.


Ok. Dito isso, é preciso pensar no depois. Não sabemos como esta situação vai passar, mas ela vai passar. Ainda sem data, iremos superar isso. Porém, como o mundo do futsal vai sobreviver a todo este caos? Como vai ser o depois?


Independente do país, o novo coronavírus afetou todos os maiores campeonatos da modalidade. Brasileiros que atuavam no exterior, sem perspectivas, retornaram para a casa. As competições nacionais, das mais importantes e televisionadas às que reúnem a cidade na arquibancada, estão suspensas. Todas, sem uma data certeira para serem retomadas.


Em meio a notas oficiais, suspensões provisórias são renovadas com o passar dos dias pelas entidades responsáveis. Sem a grande estrutura do futebol, por exemplo, fica impossível pedir ajuda a patrocinadores (que já são raros) e auxiliar os clubes. Também fica difícil definir uma data de retomada, com ginásios muitas vezes pequenos, abafados e com um inverno pela frente. Não pode existir aglomeração, mas jogo sem torcida é prejuízo para todos.


No mesmo barco, os times também estão a ver navios. As grandes estruturas do futsal não fazem nem cócegas aos clubes medianos do futebol. Não tem como comparar as duas modalidades. Não existe “gordura para gastar”. O futsal brasileiro rói o osso até na boa fase.


Foto: Alessandra Formagini

Embora o futsal seja o esporte mais praticado do país, o salário não é milionário e a grande – eu disse, a grande – maioria dos times não possuem uma estrutura financeira. A maioria das cidades, longe das jogadas vistas na TV, sobrevivem com a força do município que tem um torcedor aqui, uma empresa acolá, um jogador que divide o turno de trabalho e, no fim, tem um time para a cidade se orgulhar.


Mas, o que será deles? Do clube que não tem bilheteria? Do torcedor que sente saudade? E o atleta, com sua família, que vive a indecisão do próximo dia de pagamento? E a rádio que não transmite o jogo? E o patrocinador que, sem a loja estar aberta, não consegue ter lucro? E a criança que teve a escolinha suspensa? E o vendedor de pastel do ginásio que não tem mais para quem vender?

São muitas perguntas. Nenhuma resposta. E o tempo vai sufocando muitos times que não voltarão a respirar depois que tudo passar.

O desejo é que, em breve, com saúde, todos nos reencontremos nas arquibancadas desse Brasil afora. De preferência, matando a saudade daquele pastel que só o tio do ginásio sabe fazer.

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