• Stephany Locatelli

Desempenho x resultado: a precoce eliminação corinthiana na Libertadores

Atualizado: 24 de Jul de 2020

Há um grande dilema no futebol que permeia por anos: desempenho x resultado. Jogar mal e vencer pode, com acúmulos de jogos, renderem a um time um título. Já jogar bem e não vencer pode custar caro no fim das contas. Entretanto, tanto um bom desempenho com resultado ruim quanto um bom resultado sem desempenho positivo acarreta consequências consideráveis. É possível compreender? Resultados são sempre vistos independentemente da maneira que se joga, entretanto atuações ruins que dão certo não são permanentes. Pensem comigo: sem jogadas ensaiadas, sem organização, sem nenhuma variação você se torna previsível. Agora, quando se tem tudo isso pode até demorar, mas quando tudo se encaixa, é questão de tempo para que o rendimento dê retorno. Mas é claro: nem sempre o retorno tem tempo de aparecer.


Daniel Vorley/AGIF

Na última quarta-feira (12), o Corinthians foi eliminado da Libertadores pelo Guaraní-PAR, em Itaquera. O time alvinegro jogou muito. Em boa parte da partida foi extremamente superior ao adversário. O time de Tiago Nunes teve um primeiro tempo maravilhoso. A formação com Pedrinho, Luan, Vagner Love e Boselli funcionou. E mesmo quando tudo parecia perdido após a expulsão de Pedrinho, o time teve forças para manter a postura e marcar o segundo gol. Foi para o intervalo com um 2 a 0 classificatório. Entretanto, o bom futebol do Corinthians não foi suficiente para aguentar até o final dos 90 minutos finais. O gol de falta do carrasco corinthiano, Fernando Fernández, colocou um ponto final em todo o jogo bem trabalhado e a partir daí o jogo do time de Itaquera resumiu-se apenas em bolas aéreas que não obtiveram sucesso algum.


A torcida corinthiana provou um pouco do que estava acostumada a dar aos rivais: ver um time classificar-se sem jogar metade do que o outro jogou. Nos últimos anos, o Corinthians era esse time. Focado apenas na defesa, jogavam por uma bola e mesmo abdicando do jogo conseguiam levar a melhor sob o adversário. Em 2017, por exemplo, sob o comando de Fábio Carille, o Timão fez um primeiro turno impecável. Foram 14 vitórias e 5 empates. Entretanto, no início do segundo turno o Corinthians teve uma sequência de resultados ruins, sua primeira derrota veio na 21º rodada do campeonato. Justamente como foi dito antes: há prazo de validade. Apesar de ter sido campeão naquele ano, com o passar do tempo o efeito “retranqueiro” deixou de dar resultados. E no ano passado, com a volta do treinador Carille, que havia conquistado a torcida, esse estilo de jogo não agradou mais quem torcia, porque passou a não gerar resultados. Todos já “entendiam” como jogar com o Corinthians. Foi aí que Tiago Nunes surgiu como nome para comandar o time alvinegro com uma nova proposta de jogo, com uma visão divergente do que o torcedor estava acostumado.


Não dá para cobrar de Nunes um resultado melhor do que o apresentado na quarta. Até porque ele assumiu esse ano e precisa ainda reformular completamente a mentalidade do time. São dois estilos totalmente diferentes e isso leva tempo. Tanto para aplicá-lo na prática quanto para fazê-lo dar bons frutos. E isso me leva a pensar se foi inteligente da parte do Tiago em não assumir o Corinthians no final da temporada passada. Talvez, com o time mais entrosado e tendo mais ideia do jogo ofensivo fosse um início de temporada mais promissor. E você deve estar perguntando-se: “Mas, Stephany... O Corinthians poderia nem ter se classificado para a Libertadores.” De fato! Entretanto, certamente pegaria vaga na Copa Sul-Americana e, em tese, ainda estaria numa competição internacional.


Apesar de tudo, o torcedor corinthiano após a eliminação não vaiou, ao invés disso aplaudiu. Porque viu esperança no futebol apresentado. Houve mudança na postura do Corinthians em campo, mesmo em tão pouco tempo é possível notar isso na recuperação de bola e também na transição ofensiva. Todavia é claro que ainda falta muito. E não há desculpas, não adianta culpar o juiz, ou o Pedrinho, ou o Cássio. Não é hora de achar culpados e sim de olhar com olhos mais críticos os erros cometidos e corrigi-los sem apontar dedos.


A eliminação obviamente afeta a temporada do Timão não só em questão futebolística, mas também na parte financeira. No planejamento para esta temporada divulgado no final do ano passado, a projeção era chegar no mínimo até as oitavas de final da Libertadores, ou seja, o clube não esperava ser eliminado de forma tão precoce da competição e isso fará falta no balanço final.


Quanto a Nunes, independente do que aconteceu, ainda tem tudo para dar certo no comando alvinegro. Fazer com que o Corinthians tenha equilíbrio tanto no desempenho quanto no resultado não será tarefa fácil, até porque o time não apresenta um grande elenco. Mas, nas mãos do treinador, o Corinthians se mostrou menos medroso quando joga com a bola nos pés. São apenas os primeiros momentos de um trabalho que promete muito e baseado no bom futebol apresentado e que vem evoluindo e também na capacidade que Nunes tem de extrair o melhor de cada atleta é notável que os corinthianos queiram abraçar a mudança com todos os possíveis riscos.

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