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Desigualdade salarial no futebol: mulheres ganham menos apenas por serem mulheres?

Atualizado: Jan 16

Antes de falar sobre futebol, precisamos falar que o machismo existe sim e está por todos os lados. O machismo afeta, principalmente, o mercado de trabalho. Segundo dados do IBGE, a mulher ganha 20,5% a menos que um homem no país - mesmo tendo maior escolaridade. Já no cenário esportivo, dados do portal Uol mostram que em 2018 o Campeonato Brasileiro da categoria feminina pagou as jogadoras R$120 mil, enquanto que o masculino R$ 18 milhões, ou seja, 143 vezes mais.


Fora do Brasil, Ada Hegerberg, que em 2018 foi a vencedora da Bola de Ouro, chega a receber 227 vezes menos que Neymar, do PSG. A norueguesa recebe cerca de € 400 mil (R$ 1,73 milhão) por ano, enquanto o atacante brasileiro € 91 milhões (R$ 396 nilhões). Quando a comparação é com Marta, eleita seis vezes melhor do mundo, ela ganha menos de 1% do salário do atacante brasileiro. No entanto, no esporte pensar que a desigualdade dos valores pagos aos atletas é resultado do machismo nos leva a ter conclusões superficiais a respeito do assunto. O debate sobre a desigualdade salarial no futebol precisa ir além da, somente, comparação de valores recebidos entre os jogadores do sexo masculino em relação ao feminino.


Em geral, times de futebol feminino não vendem seus direitos de transmissão de jogos para as emissoras. Com isso, não tem audiência para oferecer patrocinadores e nem conseguem atrair o público se houver venda de ingressos. Daí, um dos primeiros motivos para tamanha discrepância entre as modalidades. O futebol masculino tem um alto faturamento por temporada e gasta o que foi arrecadado em jogadores. Ao passo que o feminino tem apenas custos.


foto: Izabela Avelar

O futebol é o esporte mais popular do mundo. Mas, quando praticado por mulheres, ainda encontra resistência em vários lugares. Não é difícil encontrar nas redes sociais comentários que dizem que o futebol praticado por mulheres não é tão interessante quanto os dos homens. Mas erra quem acha que o problema esta na capacidade física das jogadoras, na organização tática e no volume de jogo. O que acontece é um círculo vicioso onde cada um tira a sua responsabilidade e joga a bola para o outro. De um lado, o pensamento de que não tem investimento na categoria porque não há publico. E do outro, que não há público por falta de investimento na indústria.


De uns anos para cá, os discursos empoderados e protestos de mulheres, que lutam, até mesmo nos tribunais, não só por dinheiro, mas também por melhores condições de treino e igualdade no reconhecimento entre as ligas de ambos os gêneros, se intensificaram. Alguns dizem ter visto avanços nos estímulos da Fifa. Exemplos dessas ações no Brasil é o obrigatoriedade da existência de times femininos para que os clubes possam disputar os campeonatos nacionais. Já na Europa, a mais recente campanha da UEFA, #TimeforAction, vai investir no desenvolvimento do futebol feminino durante os próximos cinco anos. A premiação da Copa do Mundo Feminino em 2023, na Austrália e Nova Zelândia, vai dobrar de valor em relação a edição passada, em 2019 na França, onde foi pago 30 milhões (R$ 112 milhões). Mas na verdade a disparidade só aumenta. A federação já anunciou um aumento para a Copa do Mundo do Qatar, passando de 400 milhões (R$ 1.5 bilhões) para 440 milhões (R$ 1.6 bilhões). O aumento dado ao torneio masculino é maior do que o prêmio total obtido pelas vencedoras do último ano.

Como mudar esse cenário? Mulheres precisam de um calendários e competicões estáveis, transmissões para atrair a visibilidade e cativar mais torcedores e, consequentemente, transformar a presença do público em dinheiro. É preciso que investidores, patrocinadores, clubes e emissoras reforcem a luta por igualdade, para que cada vez mais elas acumulem conquistas, dentro e fora de campo. A questão é somente tempo para equilibrar a balança.

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