• Nathalia Fanti

Entenda a realidade do futebol feminino no Brasil

Proibidas por lei de jogar em território brasileiro por 40 anos, o desenvolvimento do futebol feminino acompanha o crescimento da necessidade da população de discutir temas sociais como o machismo, a homofobia e o racismo no esporte. A prática da modalidade em nosso país só foi possível graças a uma conjunção de fatores, entre eles a resistência de algumas mulheres, interesses econômicos representados especialmente pela mídia, além da democratização do país ocorrida a partir da década de 80.


Atualmente, apesar de todas as dificuldades as atletas procuram se esforçar para que o esporte seja respeitado e valorizado, assim como o futebol masculino. Para isso, torna-se necessário o investimento em times e em atletas, para que haja clubes com estrutura e qualidade para oferecer um melhor aproveitamento do esporte.


foto: Ministério do Esporte/divulgação

No âmbito da valorização do futebol feminino, é possível dizer que: a presença de mulheres em espaços que foram negados por anos são importantes para acabar com toda influência patriarcal enraizada na sociedade, e, principalmente, para acabar com a ideia de que o esporte não é para mulher. Falta seriedade e investimento dos clubes e da própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para a profissionalização da modalidade.


Um levantamento publicado pelo jornal Extra Globo em 2019, apontou que somente 1% do orçamento dos clubes é investido no futebol feminino. Isso explica a dificuldade enfrentada pela seleção feminina até a Copa do Mundo da França de 2019. O evento marcou a história da modalidade, pois pela primeira vez a Copa do Mundo Feminina foi transmitida ao vivo e na íntegra, pela televisão em rede nacional.


De acordo com a Federação Internacional de Futebol (FIFA), cerca de 1,12 bilhão de pessoas assistiram à competição tanto pela internet quanto pela televisão. Na época diversas marcas fizeram ações de marketing para estimular outras empresas a apoiarem a luta pela valorização do futebol feminino.


A Cervejaria Ambev criou uma campanha para impactar outras empresas. O Guaraná Antártica, única empresa a patrocinar tanto a seleção masculina quanto a feminina, produziu fotos e vídeos sem seu logo; com lâminas de barbear; produtos de beleza; capas de revistas; entre outras, com o intuito de mostrar a importância da igualdade midiática. A Nike, fornecedora dos uniformes da seleção feminina, desenvolveu uma série de campanhas para popularizar o futebol feminino nas ruas.


Apesar de ser um grande marco na história do esporte feminino, foram ações pensadas e estruturadas somente para aquele período. No entanto, o futebol feminino precisa de patrocínio, visibilidade e apoio midiático durante o ano inteiro. Essas ações são necessárias para a valorização da modalidade e das atletas.


Outro fator em destaque é a histórica falta de atenção das grandes mídias com o futebol feminino, esse é um dos principais motivos para que a modalidade tenha sobrevivido tanto tempo às sombras. O olhar inferior das pessoas no futebol feminino ainda é um ponto que interfere na falta de investimento da mídia. E essa é uma questão histórica que só vai ser desconstruída quando começarem a investir nas categorias de base, quando os grandes canais de comunicação começarem a transmitir jogos com regularidade dos campeonatos femininos, entre outras ações que poderiam influenciar no aumento do consumo do esporte pelos brasileiros.


É preciso enxergar que o futebol feminino é, além de uma modalidade, uma poderosa arma de engajamento social. Acredito que um dia o futebol feminino será tratado com mais direcionamento, respeito e seriedade. Afinal, o futebol é uma paixão nacional, e o esporte é para todos, sem importar idade, cor, gênero, cultura ou classe social.

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