• Marina Staudt

Exemplo a ser seguido: a Campanha Elas no Estádio, da Federação Paulista de Futebol

Dia 21 de janeiro de 2020 ficou marcado por um ato histórico que aconteceu em São Paulo, quando a Federação Paulista de Futebol abriu as portas para uma entrevista seletiva, para lançar o Movimento #ElasNoEstádio, onde somente jornalistas esportivas e coletivos de torcedoras de alguns dos principais times da cidade de São Paulo (Palmeiras, Santos, Corinthians, São Paulo e Guarani) estiveram presentes. Os homens, assistiram em televisões fora da sala.


Foto: Rodrigo Corsi/FPF

Alline Pelegrino, diretora de futebol feminino da FPF e embaixadora do movimento, e Laura Louzada, coordenadora de marketing do Botafogo FC, comentaram que a ação foi realizada desta maneira no intuito de causar a mesma sensação de restrição social que as mulheres sentem em dia de jogos.


Segundo pesquisa do Datafolha, apenas 14% do público que frequenta os estádios do Paulistão é feminino - o que reflete também em todo o país. Além da pesquisa quantitativa (Datafolha), foi realizada também uma pesquisa qualitativa (Ibope/Repucom). A pesquisa identificou que a maioria das mulheres não frequentam estádio por um conceito familiar ou social, que ensina à elas que o estádio não é lugar para mulher.


A partir destas pesquisas e também de um desejo da Comissão de Comunicação e Marketing da FPF, juntamente com os clubes, surgiu a campanha. O assunto principal? Um tema muito importante: a participação das mulheres nos estádios.


Ações iniciais da campanha: * Atendimento especial às mulheres nos estádios, para que possam relatar assédio, ofensas e violência. Nos jogos na capital, haverá, preferencialmente, delegadas para atender o público feminino. * Abertura de canal de comunicação exclusivo para mulheres darem sugestões, criticarem ou até mesmo denunciarem crimes ou ofensas: elasnoestadio@fpf.org.br;


* Incentivo a coletivos e grupos femininos para que possam ir juntas aos estádios.


Foto: Daniela Ramiro/FPF

Alline, destacou a importância da participação dos clubes. “Se a gente colocar alguns temas em discussão, nem todo mundo vai entender da mesma forma, e é nisso que está a riqueza de ter os 16 clubes envolvidos, porque eles vão seguir as pesquisas com os torcedores, com o feedback das mulheres no jogos, então a gente pode ir adequando. (...) Essa questão dos 14% [de mulheres nos estádios] pega muito, porque somos maioria na sociedade. Então, por que somos um número tão pequeno nos estádios?”


Cabe aqui destacar que campanhas como essas servem de exemplo e inspiração para que demais federações e clubes de futebol compreendem a importância de reconhecer o espaço da mulher no futebol.

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