• Taísi Sorrini

Futebol brasileiro e o mercado de apostas

As plataformas de apostas esportivas estão se popularizando cada vez mais no Brasil. Essa realidade é explicada, principalmente, pela facilidade e rapidez de acesso pelos usuários amantes de jogos nos sites de apostas. Contudo, apesar de serem regularizados no país, esse negócio ainda gera muitos questionamentos e polêmicas.


Nos últimos anos, as plataformas de apostas vêm ganhando grande visibilidade e adesão no futebol brasileiro. As publicidades na televisão, os patrocínios nos uniformes de clubes e as propagandas nos estádios durante as partidas reforçam a expansão desse negócio atrativo.


Embora os cassinos e casas de jogos sejam proibidos no Brasil, as apostas online são permitidas. Em dezembro de 2018, o ex presidente da República, Michel Temer, promulgou a Lei 13.756/18, que autorizou a legalização de jogos e apostas na modalidade quota fixa. Paralelamente, também liberou as ações de comunicação, publicidade e marketing relacionadas ao negócio.


Nesse sentido, considerando que o brasileiro, por natureza, é aficionado por futebol (tanto jogar, quanto assistir), o mercado de apostas online viu uma grande oportunidade de investimento nessa modalidade. E o retorno desse capital, inclusive, já vem acontecendo de maneira grandiosa. Os números recentes desse mercado apontam uma movimentação de, aproximadamente, R$ 4 bilhões em apostas direcionadas, exclusivamente, ao futebol.


Além da regulamentação desse mercado; a rapidez, a facilidade e a interatividade de acesso e navegação nas plataformas de apostas online, por meio de aplicativos de celulares, também ajudaram a alavancar o negócio nos últimos anos. Sem contar que muitas delas não exigem grandes investimentos por parte dos usuários para realizarem suas apostas. O Cartola FC, por exemplo, oferece aos “palpiteiros” a versão gratuita e a PRO que custa pouco menos de R$ 50.


Na mesma linha, a fim de atender a demanda desse público, que é demasiadamente exigente e heterogêneo, há uma infinidade de opções de apostas, nos mais diversos campeonatos nacionais e internacionais, dentro dos aplicativos e sites.


Para se ter uma ideia, em um único jogo do Brasileirão, mais de 150 tipos de apostas podem ser efetuados. Além do resultado da partida, o usuário também tem a chance de “palpitar” sobre a quantidade de cartões, quantidade de escanteios e quantidade de gols marcados e sofridos; dentre outros.


Outro ponto focal importante de atração dessas casas de jogos online é a dedicação constante no desenvolvimento de plataformas seguras e confiáveis para realização das apostas por parte dos usuários. A Bet 365, por exemplo, maior empresa do ramo no mundo, possui certificação de segurança em praças como o Caribe e Malta. Garantindo que os “palpites” sejam tranquilos e prazerosos.


Simultaneamente, a fim de atrair cada vez mais os torcedores para o mercado de apostas, os sites e aplicativos que realizam esses negócios, reconhecendo a capacidade de crescimento próspero desse ramo, também passaram a direcionar seus esforços sobre os clubes do país. Em 2019, por exemplo, dos 20 clubes que disputaram a elite do Campeonato Brasileiro, 13 deles tiveram seus uniformes estampados com logos de casas de apostas esportivas. Esse cenário, inclusive, não foi diferente nas outras divisões do Brasileirão. Na série C, Remo e Paysandu também fecharam parcerias com empresas do setor de apostas.


Apesar das plataformas online oferecem muita diversão e lucratividade aos brasileiros apaixonados pelo futebol, algumas polêmicas relacionadas a manipulação de jogos também vem emergindo paralelamente.


À exemplo, movimentações suspeitas em sites de apostas alertaram a Sportradar (empresa contratada pela Federação Paulista de Futebol para monitorar as plataformas de apostas) em partida realizada entre Barretos e Linense pela 12° rodada da Série A3 do Campeonato Paulista. O time de Lins venceu o Barretos por 4 a 0, com dois gols de pênaltis e outro contra ao final do jogo. E tal goleada já era esperada pelos apostadores, segundo relatório elaborado pela Sportradar.


Por conta disso, o Barretos foi suspenso das próximas competições da temporada de 2021, bem como 5 de seus jogadores foram afastados por suspeita de manipulação no resultado da partida.


Coincidentemente, a vitória do Olímpia sobre o Paulista por 3 a 2, na mesma rodada da mesma competição, também chamou a atenção da empresa de monitoramento de apostas. E após investigações, ambos os clubes foram punidos pela Federação Paulista de Futebol. As equipes estão proibidas de se inscreverem em novos torneios, bem como três atletas (dois do Olímpia e um do Paulista) foram suspensos preventivamente.


Nos dois casos; Barretos, Olímpia e Paulista aguardam julgamento pelo Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP), ainda sem data para acontecer.


Paralelamente, um jogador do Galo do Japi denunciou um apostador que teria oferecido R$ 5 mil para que o atleta de Jundiaí marcasse um gol contra na partida diante do Desportivo Brasil, pela 13° rodada da Série A3 do regional. Além disso, o mesmo jogador afirmou que o apostador pediu para que o volante convencesse outros integrantes da equipe do Paulista à induzirem o resultado desse jogo.


Enfim, há uma crescente popularidade das plataformas de apostas no Brasil, que divertem, engajam e lucram os apaixonados por futebol no país. Contudo, há aqueles que tentam “dar um jeitinho” ilicitamente para fazerem com que seus “palpites” sejam confirmados. Assim, esse (nem tão) novo e próspero negócio deve atrair cada vez mais a atenção dos torcedores, clubes, investidores e autoridades brasileiras. E também deve equilibrar-se em lazer e responsabilidade.

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