• Karoline Tavares

Futebol e o histórico de invisibilização das jogadoras negras

"Onde estão as pretas?" é o nome do mais recentes episódio do podcast História Preta, cuja minissérie aborda a temática do negro no futebol brasileiro. Essa é uma pergunta que eu me faço há algum tempo, principalmente quando paro para pensar na história do futebol feminino.


(foto: arquivo pessoal)

Dos anos 1980 até hoje, vimos nomes como Pretinha e Formiga ganharem asas e colecionarem títulos, por meio do talento em campo. Pretinha foi presença confirmada na Seleção Brasileira entre 1991 e 2014, participou de quatro Copas do Mundo, quatro Olimpíadas e conquistou três medalhas de prata, entre Jogos Olímpicos e Pan-Americanos.


Já Formiga, a única jogadora entre homens e mulheres a atuar em sete Copas do Mundo, além de seis Olimpíadas. Tem três ouros e uma prata de Jogos Pan-Americanos, duas pratas olímpicas, uma prata e um bronze em Mundiais. Isso apenas para resumir algumas conquistas da incansável volante de 42 anos e que descobriu a vontade (e a vocação) para ser jogadora com 12.


Mas, e antes delas? Onde estavam as mulheres negras no futebol? Não é possível que elas tenham surgido apenas de 30 anos pra cá, não é mesmo?


E não surgiram mesmo. Os primórdios do futebol feminino suburbano datam da década de 1930, mais ou menos, e, naquela época, certamente já existiam jogadoras negras nos campos, quadras e terrenos de areia batida. Só que essas personagens foram invisibilizadas e desumanizadas ao longo da história, e mal sabemos quais são seus nomes, em que posições jogavam e qual a trajetória delas no esporte.


A luta pelo reconhecimento e pelo respeito ao futebol feminino perpassa várias esferas. A categoria já passou (e ainda passa, mesmo que em menor grau do que antes) por um processo de desvalorização em relação ao mesmo esporte praticado por homens.


Quando tentamos fazer resgates históricos sobre o assunto, a dificuldade é imensa. Buscar por informações sobre essas mulheres negras pioneiras na área, é quase impossível. Por isso, também temos que rever qual o tipo de atenção damos às atletas negras, que não sofrem apenas por serem mulheres, como também, negras. A invisibilização sofrida por elas é clara, mas o que faremos para contar essas histórias e valorizá-las? Pensando também a partir do recorte racial, podemos encontrar algumas respostas.

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