Grêmio Futebol Feminino: o apoio dado a elas e para elas

Atualizado: Jan 16

O futebol feminino teve visibilidade e também apoio dos torcedores em 2019. Mas a modalidade que ainda engatinha no país do futebol, também tem as suas dificuldades extracampo. E uma delas são as informações divulgadas pelos clubes brasileiros.


Aos 22 anos, a acadêmica de Jornalismo, Marina Staudt, é a idealizadora do projeto Grêmio Futebol Feminino, um portal dedicado as Gurias Gremistas. A ideia que surgiu em abril de 2019, também tem como objetivo aproximar os torcedores com a modalidade. “Muitos torcedores têm interesse, mas às vezes, deixam a modalidade de lado por falta de informações”, salienta a gaúcha de Novo Hamburgo. 


Além de informações como as contratações de jogadoras, Marina também busca divulgar a tabela de jogos, valores de ingresso e as competições que são realizadas ao longo da temporada. Mas na visão da torcedora, os clubes também deixam a desejar nas informações que são divulgadas. “Se os clubes dessem mais atenção a isso, talvez as torcidas abraçassem. Um exemplo são os times de São Paulo, principalmente o Corinthians, que começou a dar a mesma visibilidade ao time feminino. Tem as redes sociais para o masculino e para a modalidade feminina. E eles lotaram o estádio na final do Paulista, em um clássico diante do São Paulo. A partida foi recorde de público no futebol feminino brasileiro. Isso é um desenho claro de como os clubes vem dando visibilidade ao seu elenco, assim os torcedores também vão abraçar a causa”.


De torcedora a defensora da modalidade

Filha única, Marina começou a torcer pelo Grêmio desde os primeiros dias de vida. Aos oito anos, ganhou o primeiro fardamento do clube gaúcho. Quando criança, acompanha o pai nas partidas que eram realizadas aos finais de semana. “Sempre gostei de futebol em geral. Às vezes meus pais chegavam em casa, e eu estava assistindo aos jogos da Série C e D”. 


O futebol feminino surgiu na vida da torcedora em 2017, quando o Grêmio retomou com o projeto na modalidade. E na final, as Gurias Gremistas venceram as Coloradas nos pênaltis. Mas o título conquistado em pleno Beira-Rio, teve um gosto amargo não apenas para Marina, mas também como as torcedoras e defensoras da modalidade. “Houve um debate muito grande em relação ao pódio, onde era apenas uma mesa. É discrepante a diferença do futebol masculino para o feminino. A partir disso, me gerou uma necessidade de dar mais atenção a modalidade. Passei a seguir pessoas que falassem do futebol feminino. Esse ano tive a ideia de criar o portal que falasse só do futebol das Gurias. Inicialmente era só no Twitter, depois criei as páginas no Instagram e também no Facebook. Fui aprendendo muito sobre a modalidade estando com o portal, fui vendo as necessidades e as coisas que precisava ser destacada”, enfatiza a torcedora.


O descaso da Federação Gaúcha

A final do Gauchão Feminino aconteceu no domingo (1º de dezembro), em Ijuí. Mas a partida que começou às 15h acabou se entrelaçando ao jogo da categoria masculina. “Esse é um descaso escancarado da Federação. O que começa pelo calendário e vem trazendo outros fatores. O calendário é totalmente ignorado pela Federação, eles marcam as partidas na data em que dá”. 


A relação com as jogadoras

Com mais de 6 mil seguidores nas redes sociais, as jogadoras que compõe o elenco feminino do Grêmio também acompanham a página e as informações que são divulgadas. “Algumas são mais engajadas que as outras. É bem legal ver elas marcando o perfil nas postagens. Sempre busco interagir com elas, para elas verem que o perfil está por elas e para elas. Para dar visibilidade”.


Em 2019, as Gurias Gremistas garantiram o retorno à elite do futebol nacional. E com a disputa na Série A1 do Brasileirão, Marina vê com mais facilidade a captação das informações que serão postadas na página. “Atualmente é difícil de encontrar as informações. O Grêmio tem uma certa demora em postar as informações, apesar de elas serem colocadas, demoram a chegar. É difícil, e mais difícil ainda quando se trata das categorias de base. O clube tem assessora, mas ela cuida de todas as categorias (tanto do masculino, quanto do feminino). Ela não produz conteúdo”. 


O futebol feminino em 2019

“Evoluiu muito. Tanto na questão da visibilidade pela Copa do Mundo ter sido transmitida, e também pelo fato da Globo ter transmitido um amistoso ao vivo. Enfim, por vários fatores. Acho que cresceu muito, e pelo fato de os clubes verem que as torcidas também querem acompanhar. A gente sabe que tem muito a evoluir. O ano de 2019 foi uma virada de chave. Agora é só progresso, tem tudo para ser uma modalidade mais vista”. 

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